O assunto tecnológico brasileiro da semana passada foi a PhotoImageBrazil, a maior feira de coisas de fotografia da América Latina, que rolou aqui em São Paulo, atraiu 26 mil visitantes e movimentou R$ 50 milhões. As notícias estão atrasadas porque o enviado especial ao evento (leia-se eu) ficou alguns dias fora, bem doente (não é gripe suína, obrigado pela preocupação). Sem mais delongas, vamos aos destaques: câmera 3D (fail?); as vedetes da Panasonic e Samsung com dois visores.

A grande estrela da festa, pelo menos em termos de noticia, foi a tal Fujifilm 3D W1 aí de cima, que havia aparecido aqui no Giz alguns dias antes. Depois de mexer um pouco nela e olhar as fotos (inclusive no porta-retratos "especial"), a minha sensação é que é uma curiosidade tecnológica e só – o futuro da fotografia deve passar longe disso. O efeito, na verdade, é o mesmo daquelas capas de caderno prateadas que são vendidas em papelarias – mude o ângulo um pouco e a foto parece se "mexer". O senso de profundidade é bem diferente do encontrado em filmes 3D, por exemplo. Como não havia óculos especial por ali, não rolou o tal efeito. Mas sei lá, há muita gente apostando em 3D agora, de repente emplaca. A câmera ainda é um pouco gorda e pesadona para suportar as duas lentes e sensores. Aqui vai um vídeo de um representante explicando ao Zumo como o equipamento funciona.

Outra câmera interessante da Fujifilm é a Z300, que tem um recurso já encontrado em algumas câmeras que certamente vai virar padrão: o touch & shoot. Basta selecionar no generoso visor de 3” o que você quer focar. Funciona bem, mas encarece razoavelmente um câmera sem muitos recursos: ela chega ao Brasil por R$ 1.199.

Provavelmente a melhor marca no geral foi a Panasonic, que tinha um estande excelente. Para quem não acompanha lançamentos de fotografia recentes, soa estranho a Panasonic ser tão boa em fotos, mas a herança das lentes Leica podem ajudar a explicar a vantagem. No estande da marca foram várias novidades. Como destaques as point-and-shoots ZS1 e ZS3, consideradas as melhores compactas com superzoom pela DPReview (a ZS3 é sucessora da adorada TZ5 – passei um tempo com ela e me impressionou bem) e a G1, o primeiro equipamento do tipo Micro-quatro-terços (como a tão falada EP1), que basicamente reinventou o esquema de espelhos das câmeras profissionais. Em outras palavras: tem os benefícios das SLRs, lentes intercambiáveis, com um corpo menor. Para completar o show, a LX-3, compacta com vários ajustes manuais e a FZ35, semiprofissional com lente grande-angular e zoom-óptico de 18x.

A Canon tinha a sua linha profissional e as lentes tele assustadoras, mas o que me chamou a atenção foi a SX1IS, irmã mais moderna da minha fiel e confiável SX110IS. A 1IS tem zoom óptico de 20x, faz filmes em 1080p e passa diretamente na TV por uma saída mini-HDMI. Parece boa – sem preço definido ainda.

A nota bizarra da PhotoImage foi a Samsung, que ficou a feira inteira com este painel de contagem regressiva para um "lançamento revolucionário", que acabou sendo furado por alguns blogs (como o Gizmodo): as câmeras com dois visores, sendo um dianteira para fotos de Orkut profissas. Não que o produto seja ruim – e a Samsung tem mostrado câmeras cada vez mais interessantes no campo das compactas – mas foi estranho ver um suspense que não se concretizou.

Além de piorar meu estado de saúde, a PIB serviu para estreitar os contatos com algumas fabricantes. Isso significa que teremos mais produtos para testar. E significa também que estou atrás de algum bom fotógrafo que tenha um bom conhecimento de câmeras para nos ajudar na tarefa. Se você se acha à altura da tarefa, mande e-mail.