Muitos jornalistas presentes à coletiva da Samsung hoje esperavam o lançamento no Brasil do lindo e caro Omnia HD, celular que faz filmes em alta definição e tem uma interface não muito agradável. Mas a estrela do evento foi o Star (sacou? Mais uma vez: a estrela foi o Star), celular de tecnologia touch, com boa câmera 3 MP e R$ 699 sem subsídios de operadora. Como as boas vendas do LG Cookie provaram, há muita gente querendo colocar dedos engordurados na tela de um celular, sem ter de pagar muitos dinheiros por isso. Eu coloquei a minha mão nele, e o bichinho causou boas impressões (digitais, também).

O Star (também conhecido como S5230) tem uma tela de 3 polegadas com resolução WQVGA, rádio FM, a tal câmera com smile detection, tocador de músicas, slot para microSD de até 8GB e bluetooth. Ele não tem 3G, mas o forte é a interface proprietária, que vem com a capacidade de widgets que dão informações sobre a bolsa, RSS, e atualizações do Facebook ou e-mail. A idéia é que esses widgets mantenham o usuário conectado com o mundo consumindo o mínimo de banda possível, já que ele vem com suporte apenas para Edge (o 2G).

Na prática, funciona bem. Fica claro que o processador não é tão robusto, e há um certo delay quando se arrasta coisas pela tela ou tenta-se entrar num aplicativo que demanda mais. O teclado virtual não se transforma em full-QWERTY em todos os aplicativos (é preciso confiar no T9), o que atrasa um pouco digitar coisas maiores. Mas no geral ele segura bem a onda. A tela é resistiva e não capacitiva, o que significa que, se não é tão amigável ao dedão como o iPhone, é bem mais sensível ao toque que o bem mais caro Omnia, e mais ou menos no nível que o Nokia 5800, às vezes até melhor. Se o usuário não se acostumar em digitar com o dedo (dica – na unha fica mais fácil), há uma canetinha acoplada, junto com softwares de reconhecimento de escrita. Alguém usa isso, aliás? 

O veredicto: Pelo preço, é uma ótima porta de entrada para o mundo dos celulares touch. A possibilidade de expansão da usabilidade com os tais widgets (o SharePix, que manda as fotos tiradas diretamente para o Facebook e outras 6 redes sociais, por exemplo) é promissora. Se você quiser se manter conectado com algum estilo e gosta de colocar dedos nas coisas, é uma boa opção. 

UPDATE: Tenho lido muitos comentários dizendo "celular sem 3G não dá! Prefiro meu iPhone" e coisas bizarras assim. Amigos, é preciso colocar esse lançamento em perspectiva. Mais de 80% dos celulares no Brasil são pré-pagos. Se as pessoas não estão dispostas a pagar R$ 29 por uma conta do tipo "controle", quanto menos R$ 49 para o plano de dados mais barato, que acaba saindo mais caro se você navega muito. Edge é mais que suficiente para ler e-mais, usar o Messenger ou ver a página adaptada para WAP do Orkut. Há essa demanda – tanto é fato que já há planos de dados pré-pago. É justamente por causa desse novo nicho que a Samsung está atacando.

E não, não é todo celular que tem tecnologia touch hoje em dia. Na verdade, esse é apenas o segundo celular por menos de R$ 1.000 com a tecnologia no Brasil, ok? Como eu falei, ele é uma boa concorrência para o LG Cookie – pra mim até melhor. É uma categoria de celulares com boas funcionalidades e preço baixo. Então não vamos comparar celulares de R$ 2.000 com este, ok?

 

Especificações:
– Dimensões: 105 x 53 x 12 mm/ 92g
– Tecnologia: EDGE Quad-Band (850/900/1800/1900 MHz)
– Display: full touchscreen 3.0” WQVGA
– Câmera fotográfica com resolução de 3 megapixels
– Rádio FM com RDS
– Conectividade: Bluetooth 2.0
– Music Player: MP3/ AAC/ AAC+/ WMA
– Beat ID – Find Music and Buy
– MMS
– Java 2.0 / WAP 2.0
– Share Pix
– Modo Off-line
– Viva-Voz
– Memória interna de 50MB expansível por cartão microSD
– Capacidade máxima de memória: 8GB
– Kit básico inclui além do aparelho, bateria, fone de ouvido estéreo, cabo de dados USB e microSD 1GB.
– Preço sugerido: R$ 699,00