A Sony lançou hoje 25 novas TVs  para o mercado brasileiro. Vinte e cinco. Há desde LCDs 40” Full-HD por R$ 2.799 (preço sugerido) a LCDs com retroiluminação por LED capazes de exibir conteúdo em 3D. Com preços mais competitivos e um leque gigantesco, a empresa japonesa quer triplicar suas vendas no mercado brasileiro este ano. A parte estranha da estratégia: ela só vai lançar as suas top de linha, as LCDs LED TVs 3D, depois da Copa, em agosto. A Sony vai deixar passar o que é considerado o "segundo Natal" (pelo volume de vendas) por um motivo simples: não há conteúdo em 3D disponível. Ela está certa.

LG e Samsung já se apressaram para mostrar suas TVs 3D Ready (TVs normais, mas que podem mostrar conteúdo em 3D com o óculos de obturador ativo) e elas despejarão os aparelhos nas lojas nas próximas semanas. A Sony mostrou seus modelos funcionando – os mesmos usados em transmissões experimentais do Carnaval e da Indy em São Paulo – e decidiu segurar um pouco e ver como o mercado se comporta. Não que elas não impressionem – entre os que pudemos testar (brevemente) aqui no Brasil, as TVs da Sony se saíram melhor.  

Tecnologicamente, as melhores TVs da Sony (os modelos XBR 60LX905 e XBR-52LX905) e estrelas da festa têm basicamente o que há de mais avançado no campo: retroiluminação por LED com local dimming (e não a lateral, como os primeiros LED que apareceram no Brasil), MotionFlow de 480Hz para imagens em movimento com menos rastro, Wi-Fi integrado para passar conteúdo da Internet e de computadores ligados na casa e o Bravia Engine 3, novo processador de imagens da linha que deixa o contraste bastante impressionante. Elas vêm também com uma função opcional de conversão de imagens 2D para 3D, mas isso me parece apenas mais um truque de profundidade sem muito efeito, como o da Samsung, que não gostei (preciso testar o da Sony ainda). 

Esses dois modelos, de tela grande e preço grande ainda não revelado, chegarão às lojas já com o emissor de sinal 3D e um par de óculos. O player de Blu-ray e Home-theater capaz de mostrar filmes em 3D também chegarão em agosto, mas quem comprar (em pré-venda) as TVs em junho ganharão dois filmes em blu-ray 3D.

É claro que a Sony não mostrou apenas TVs muito caras amigas das três dimensões (outros três modelos podem mostrar 3D mas não vêm com os óculos). Veja este quadro para entender (um pouco) a linha:

Há algumas particularidades em cada uma das linhas (normalmente taxa de atualização diferente, iluminação por LED ou não, tamanho, etc etc). Me parece que a ideia de fragmentar tanto a oferta é criar opções para todos os bolsos. Em comum, todas têm receptor digital, além de um design mais sóbrio que dos modelos coreanos e conectividade à internet com modos para ver vídeos no Youtube ou acessar conteúdo adaptado do Terra, IG e SBT, por exemplo. Eu não conheço quem usa isso de fato. Digitar no teclado do controle remoto que continua sendo terrível.

Diante de tantas opções, você pergunta: "Mas e aí, seu Gizmodo? O que comprar?" Se você pretende investir bastante dinheiro em uma TV e não trocá-la pelos próximos 4 ou 5 anos, provavelmente vale à pena esperar e comprar uma no segundo semestre, quando serão vendidos modelos "3D Ready" que valem mais à pena. Mas saiba que para ver 3D o investimento é enorme: além da TV mais cara, é preciso um tocador de filmes (ou um PlayStation 3, que será atualizado), um receptor de TV Digital (A Net já fez algumas transmissões) e alguns óculos, além dos filmes em 3D. Se você está disposto a embarcar antes de todo mundo, considere as TVs da Sony, mas espere pelos modelos da Panasonic e Philips que estão para chegar e compare. Samsung e LG pareceram, à primeira vista, um pouquinho atrás tecnologicamente no momento (talvez por se apressarem), mas são opções menos caras.

Se você gosta de futebol e quer uma boa TV para a Copa deste ano e é ok com a ideia de trocá-la em uns dois anos, há várias opções no mercado sem 3D que valem bastante à pena. Há modelos de LCD comuns com imagem melhor que as de LCD-LED e Plasmas incríveis relativamente baratas. Há pouquíssimos filmes em 3D nativo (a conversão não vale à pena) hoje, poucos projetos de jogos de videogame e nenhum movimento realmente forte para levar bastante programação de TV em 3D. Não há porque correr.

Mas que é animal ver um filme 3D em uma TV boa, isso é.