Made in Brazil TIM venderá quase todos os seus aparelhos desbloqueados

A partir de 1° de fevereiro a TIM venderá quase todos os seus aparelhos desbloqueados, mesmo os comercializados com subsídio e plano de fidelização. A telecom italiana, que já adotou uma estratégia curiosa de largar mão do 3G, quer também desistir de oferecer aparelhos mais baratos como chamariz. "Estamos focando na tarifa. Nossa confiança de que o cliente vai gostar do serviço é maior do que uma isca de atraí-lo com o telefone e depois amarrá-lo com o aparelho".

Essas são as palavras de Rogério Takaynagi, diretor de marketing da TIM, ao Estadão. A novidade começou a ser ensaiada no fim do ano passado, quando a operadora passou a vender alguns aparelhos desbloqueados, mais simples. Mês que vem ela aplicará a regra para quase todo mundo: as exceções à salutar regra serão o iPhone e os Blackberrys, por questões contratuais. A TIM resolveu dar uma de boa moça, mas a verdade é que a Anatel provavelmente soltará uma norma ainda este mês proibindo a venda de celulares bloqueados.

Mas Rogério diz que a TIM quer, na verdade, mudar a mentalidade do usuário. Hoje, no Brasil, não há muita vantagem para se comprar um telefone desbloqueado e levar para sua operadora favorita (ou menos odiada). Na Vivo, por exemplo, eu paguei R$ 599 para ter o Milestone no plano Vivo Você 200. Se alguém comprar um Milestone desbloqueado por R$ 1.800 e fizer o mesmo plano, pagará a mesma tarifa mensal. Tudo bem, eu ficarei "preso" por pelo menos um ano na operadora, mas é justo que eu pague o mesmo tanto que alguém que não teve o descontão no smartphone?

A TIM começou a rever essa distorção, dando desconto nos planos para as pessoas que compravam só o chip.

Há três meses, a TIM passou a oferecer a alternativa de dar desconto no valor do pacote do sistema pós-pago em vez do subsídio ao aparelho. O desconto depende das características de cada plano, mas, segundo o diretor, supera em muitos casos 60% do valor do telefone que o cliente receberia de graça.

 Takayanagi disse que está acabando no Brasil o mito de que operadora de telefonia dá celular de graça. Para compensar o subsídio, explica, a tarifa acaba sendo mais cara ou o aparelho é de baixa qualidade. "O que a gente tem observado é que o cliente já começa a entender que é uma vantagem para ele ter o desconto", afirmou.

Nos EUA, a tarifa para quem usa o celular comprado desbloqueado é menor. No Brasil, não sabemos se o que a TIM experimenta é uma tendência ou uma tentativa de ganhar mercado. O que vocês acham?

UPDATE: Como lembrou o Siciliano, a Oi faz algo parecido. Você compra um aparelho com ela e tem a opção de ter desconto na conta nos próximos 10 meses ou receber um crédito no seu cartão em 10 vezes. De uma forma ou de outra, o que rola é uma fidelização, apesar da Oi pregar a "liberdade" e esse blablabla.

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