Darren Huston (foto), um dos altos executivos da Microsoft, estava aqui no Brasil na megacoletiva para o lançamento do Windows 7, hoje à tarde (mais detalhes logo mais). Darren diz que nós somos importantes. Pelos dados da Microsoft, o Brasil era, alguns anos atrás, o 7° maior mercado de PCs do mundo. Hoje é o 5°, "e achamos que em alguns anos será o terceiro maior, logo atrás dos EUA e China", segundo o próprio. Eu meio que estraguei o clima de oba-oba, e fiz a pergunta chata e necessária na coletiva: "Mas Darren, como cresceremos tanto com o preço do Windows 7 original sendo tão alto?"

Lembrei que na China o Windows 7 Home Basic custava o equivalente a R$ 100 e que o Brasil tinha o Windows de caixinha mais caro do mundo, provavelmente. Oswaldo Barbosa, diretor da área de consumo, respondeu: "Não acho que o preço vai atrapalhar qualquer cosia na taxa de adoção. Acho razoável pelo tanto de serviços que ele traz". Darren foi menos defensivo. Disse que era nossa obrigação pressionar a Microsoft sobre isso, e lembrou dos programas bacanas de desconto para universitários, por exemplo (nos EUA, basta você ter um e-mail @universidade.edu que o Win 7 sai por US$ 30). Mas que o foco estava em vender o sistema operacional OEM, embarcado na máquina.

Oswaldo explicou que para o fabricante de PCs, o preço do Windows 7 é o mesmo em qualquer lugar do mundo, o que dá mais ou menos 10% do custo da máquina. "Mas o de caixinha custa R$ 700, que máquina custa R$ 7.000?" Desconversaram. E repetiram o papo: o Windows 7 não vai encarecer os computadores novos. Mas e o upgrade online? E o preço alto da caixinha? Sem muito a declarar.

Está claro que o foco da Microsoft nesta geração não é vender o sistema operacional na caixinha, nem oferecer o upgrade: a ideia é vender um monte de PCs com o novo sistema. Prova disso era a visível empolgação do presidente da Positivo, Hélio Rotenberg, que quebrou o protocolo e invadiu a resposta enrolativa de uma pergunta chata:

"Falo por todos aqui. Nós vamos ter uma explosão de vendas de computadores, teremos o natal que não tivemos ano passado!" Todas as máquinas da fabricante curitibana virão com o novo SO. Algumas são bem bacanas, inclusive.

Essa estratégia certamente interessa à relação da MS com os fabricantes, que não deviam mais aguentar reclamações sobre o Vista. Como Positivo, Dell, HP e família têm desconto na compra do sistema, fica de fato mais barato para o consumidor médio comprar um computador montado que conseguir peças avulsas e comprar uma caixa ridiculamente inflacionada para o mercado brasileiro. O conjunto 100% legal sai mais em conta.

Mas isso realmente interessa ao consumidor final? Uma das vantagens mais alardeadas do Windows 7 é que ele roda "até em papel higiênico", como disse o chapa Jô Auricchio, do Link. E segundo Oswaldo, 95% da base instalada de PCs no Brasil pode rodar o Windows 7 hoje – ao contrário dos 5% que rodavam bem o Vista na época do lançamento do penúltimo sistema da Microsoft. Então não seria lógico oferecer o 7 – que é ótimo, como já cansamos de dizer – por um preço factível para nós que já temos um computador decente?

Para quem tem o XP ou um Windows Vista pirata, eu diria que os R$ 700 cobrados pela versão Ultimate é um bocado de dinheiro, mas é relativamente justo pelo tanto de melhorias de performance que o sistema oferece. Mas pra quem comprou o Vista e tem um computador sedento pelo 7, a mensagem da Microsoft é clara: morram na grana ou comprem um computador novo. Então tá.