Não há qualquer previsão de lançamento do Zune HD fora dos EUA, mesmo com o relativo sucesso desde seu lançamento há duas semanas. Isso não quer dizer que o rapaz americano não se sinta à vontade no Brasil. Conversei com um Zune HD ontem e ele parece querer vir pra cá, já que dois de seus principais atrativos funcionam direitinho: a rádio HD (algumas emissoras, como a CBN, têm transmissor digital) e essa maravilha que é o Zune software 4.0. Então, se você conseguir trazer um de fora, não vai perder muito aqui. E pelo que eu testei, vale o e$forço.

Não vou fazer um hands-on porque os amigos do Giz US já analisaram bem o player, nesse excelente review. Mas é bom reforçar algumas coisinhas: o Zune é menor do que parece. Comparei com a única coisa que tinha à mão, o E71, e dá para ter uma ideia. A tela é bastante reflexiva sim, dependendo do ângulo e luminosidade, mas tem uma qualidade de imagem realmente impressionante. A operação dele é ridiculamente rápida e a tela capacitiva é tão boa quanto a do iPhone 3GS: não exige esforço.

Dito isso, ele não é exatamente um concorrente do iPod Touch, já que eles têm diferenças importantes. Ele não é um hub de computação pessoal tão poderoso quanto o iPod Touch. Sim, ele tem um navegador, meia dúzia de joguinhos (que se multiplicarão, ok) e clientes para Twitter e Facebook em breve. Mas não foi feito para ler notícias, mapas, Qype, digitar… Ele não tem nem nunca terá a diversidade da App Store da Apple. Não é a ideia. O Zune é um Player de música e vídeo mais alinhado à próxima tendência dos PMPs: o não-download de músicas. [EDIT: Explicando melhor: a tendência é surgir cada vez mais serviços de streaming ou download temporário na base de assinaturas. Caçar músicas via Soulseek, blogs dedicados e rapidshare tende a ser menos importante. É o que eu acho.]

Navegar pela biblioteca de músicas – que você tem na memória ou no marketplace – não só é rápido, como divertido, com bastante apelo visual. O Zune Pass, que te permite ouvir em alta qualidade qualquer música que você quiser (por um preço de assinatura, é claro), a qualquer momento que a conexão Wi-Fi estiver disponível, é uma maravilha para quem leva a música bastante a sério. O sistema de recomendação é bom e o "Smart DJ" mistura músicas que você já tem na memória com coisas que você nem pensou em baixar, via Marketplace, sem engasgos, com qualidade 192 kbps. O quickplay deixa você fixar numa barra de acesso rápido as suas playlists e álbuns favoritos. Em resumo: foi feito para ouvir suas mídias favoritas. E você nem precisa tê-las, pra início de conversa.

Mas isso tem menos a ver com o Zune HD em si e mais com o Zune 4.0, o software atualizado ao mesmo tempo que o novo player, que recebeu menos atenção. Esse, sim, está presente na estratégia mundial da Microsoft – uma empresa originalmente de software, é bom lembrar. E ele funciona direitinho no Brasil, sem restrição de conteúdo, com duas pequenas gambiarras. Assunto de um outro post.