Existem várias ótimas razões para estar extremamente ressabiado quanto às informações que o Facebook coleta sobre os usuários, depois de anos de escândalos de dados e privacidade. Mas, mesmo com a empresa forçando sua narrativa de “transparência”, muitos ainda não entendem como suas informações estão sendo usadas pela companhia, especificamente em relação a anúncios direcionados. Foi isso que o think tank Pew Research Center descobriu.

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Um levantamento sobre os usuários adultos norte-americanos do Facebook revelou que 74% deles não estavam cientes da página de “preferências de anúncio”, que lista os “interesses” que o site coletou para direcionar anúncio para eles, relatou o Pew em sua análise, publicada na quarta-feira (16). Entrevistando 963 usuários do Facebook com idade a partir de 18 anos, entre 4 de setembro e 1º de outubro do ano passado, a pesquisa revelou que pouco mais da metade dos entrevistados relatou “não estar muito confortável ou não estar nada confortável” com a forma como a empresa acumulou a lista de categorias de aparente interesse (a pesquisa tem uma margem de erro de mais ou menos 3,4 pontos percentuais). De acordo com o relatório:

Mesmo com a maioria dos usuários apontando que o Facebook avalia seus interesses com pelo menos alguma precisão, cerca de metade dos usuários (51%) diz não estar muito confortável ou não estar nada confortável com a criação dessa lista sobre seus interesses e características. Isso significa que 58% das pessoas que o Facebook categoriza não se sentem confortáveis com esse processo. Por outro lado, 5% dos usuários do Facebook dizem que estão muito confortáveis com a empresa criando essa lista, e outros 31% declaram que estão um tanto confortáveis.

O Facebook usa uma série de métodos para direcionar anúncios a usuários individuais, incluindo páginas curtidas pelos usuários e seus amigos, compartilhamento de dados de localização e, mais vagamente, “informações do seu perfil do Facebook e do Instagram”, de acordo com a página de política de anúncios da rede social. Aplicativos e sites também podem compartilhar informações sobre usuários com o gigante das redes sociais por meio de botões “curtir” e “compartilhar” ou por meio de um “pixel” do Facebook, um pedaço de código que permite que a rede colete informações sobre a atividade do usuário em outros sites que implementam este recurso.

Rob Goldman, vice-presidente de produtos publicitários do Facebook, afirmou em um post em 2017 que “proteger a privacidade das pessoas é fundamental para a forma como projetamos nosso sistema de anúncios” (a afirmação também é reproduzida letra por letra na página de política de anúncios do Facebook). Além disso, ele escreveu, os usuários “devem ser capazes de entender facilmente quem está mostrando anúncios para você e ver que outros anúncios o anunciante está veiculando”.

Mas a pesquisa do Pew indica que, apesar de todo o barulho que Zuckerberg e outros diretores da empresa fizeram sobre o Facebook ter a melhor das intenções, muitos de seus usuários seguem sem saber como a empresa está coletando informações sobre eles. E, além disso, ao descobrir essas práticas, as pessoas não ficam muito felizes com elas.

Em resposta à pesquisa, o Facebook disse ao Verge em um comunicado que “quer que as pessoas entendam como nossas configurações e controles de anúncio funcionam”. Evidentemente, o site tem um trabalho enorme a fazer se quiser mesmo cumprir essa afirmação.

[Pew Research Center via The Verge]