ATUALIZAÇÃO: foi tudo um golpe publicitário. O io9 conversou com o porta-voz do movimento, e ele é um engenheiro da empresa TenthBit, que organizou o protesto para promover um novo app de namoro. A ideia do app Quiver é permitir que pessoas se conectem sem precisar de um algoritmo para tanto. O texto original segue abaixo.

“Parem os robôs”. “Os humanos são o futuro”. Foi com mensagens como essas que uma organização conhecida por Stop the Robots (Parem os Robôs) protestou na 27ª edição do South by Southwest (SxSW) neste fim de semana pelo controle de inteligências artificiais e robôs inteligentes. O grupo, formado por estudantes da Universidade do Texas, afirma que é preciso ter cuidado para que inteligências artificiais não dominem funções humanas a ponto de serem contraprodutivas para a humanidade.

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O SxSW é um festival anual que reúne shows musicais, cinema independente e novas tecnologias em um só lugar.  O Stop the Robots escolheu fazer o protesto inaugural do movimento no SxSW porque o festival dedica um espaço exclusivo às novas tecnologias e redes sociais. O grupo conta com cerca de 20 membros e não tem como objetivo o fim dos robôs e da inteligência artificial, mas quer ter a certeza que eles “empoderem humanos, ao invés de substituí-los”, diz Adam Manson, porta voz do grupo.

Estudante de programação da Universidade do Texas, Manson não gosta do título e não se considera líder do movimento, hesitando até mesmo em se referir ao Stop the Robots como uma organização, devido ao número pequeno de membros que ela tem até o momento. Ele explica que o grupo é facilmente confundido como anti-tecnologia, o que não é verdade: “Amamos a tecnologia, vemos um futuro onde tecnologia é necessária a humanidade”, diz.

O objetivo do grupo não é impedir que robôs e tecnologias inteligentes sejam construídos, mas pedir a seus criadores que avaliem as implicações que tais sistemas possam criar e que inteligências artificias sejam criadas de forma controlada e responsável.

O site oficial do Stop the Robots descreve o movimento como “dedicado a usar a tecnologia para o bem e entender os reais riscos que a inteligência artificial representa para a humanidade”. “Temos que descobrir uma maneira de usar a tecnologia em grande escala para criar empregos”, diz Mason.

O Stop the Robots se inspira em grandes nomes como Elon Musk, fundador da Tesla; e o cientista Stephen Hawking. Ambos temem os perigos da inteligência artificial; Hawking acredita que ela tem o potencial para acabar com a humanidade, enquanto Musk chegou a doar US$ 10 milhões ao “Future of Life Institute”, instituto que avalia os potenciais riscos que a humanidade pode vir a enfrentar, os riscos da inteligência artificial em particular. 

O movimento já deixou sua (pequena) marca com o protesto, mas ainda é incerto o que será dele no futuro. Mason não vê o papel de porta voz como um emprego, especialmente porque ele pretende se mudar para o Vale do Silício assim que se formar.

Stop the Robots acaba de tornando mais uma lembrança de possíveis perigos do que um real movimento. De qualquer forma, o recado está dado: talvez seja, sim, necessário tomar certos cuidados ao lidar com tecnologias inteligentes. [Yahoo, TechCrunch, UsaToday]

Imagem: Rick Jervis/Twitter. Atualizado em 17/03.