Pagar centenas ou milhares de dólares por um sistema convencional é ridículo quando você pode simplesmente plugar seu equipamento 3G e ouvir música via streaming, navegar via GPS, receber informações, usar apps e interagir com o sistema de diagnóstico do automóvel. E a melhor parte para entusiastas de um tablet não é a conectividade – e sim a desconectividade. Se eu quero uma viagem livre de tecnologia, posso simplesmente deixar meu tablet na mochila – ou deixá-lo em um outro carro. Equipamentos do tipo OEM (fornecidos às montadoras, e não diretamente ao consumidor) estão sempre lá, sempre à postos, sempre tomando espaço.

Eu queria que o iPad fosse a pílula de Jesus, curando as colunas de controle demenciais e alimentando os pobres painéis com informação. Não é. Ele falha em alguns aspectos fundamentais como substituto dos sistemas de infotainment que temos hoje.

1.     Não é multitarefa.  O iPad tem sido comparado a um grande iPod touch, o que significa que se eu quero usar GPS para me guiar, ouvir a Slacker Radio através da conexão 3G e monitoras o sistema de diagnóstico do meu carro, tenho que parar, trocar de aplicativo, e começar de novo. Não vai funcionar para mim.
2.    Não faz chamadas – provavelmente. Por mais que eu gostaria de acreditar que ninguém faz ligações em seus carros, a verdade é que isso acontece o tempo todo. Até eu faço isso. Até o momento o iPad, conforme anunciado (existem algumas questões sobre se o SDK, que permite o desenvolvimento de aplicativos para realizar chamadas em modelos equipados com 3G, irá permitir essa função no iPad) não aceita ligações, então fica por minha conta desenvolver um sistema para fazer o iPad funcionar como um telefone mais simples (um iPhone) . Até os mais básicos sistemas de infotainment modernos podem lidar com uma chamada.
3.    Sem comando de voz – provavelmente. O fator mais importante em qualquer interface multimídia é a habilidade de controlar tudo sem tirar as mãos do volante ou os olhos da pista. Sistemas como o Ford SYNC e o Audi MMI, com o uso de voz ou comandos no volantes, conseguiram automatizar várias funções. Usar o iPad como solução é bem perigoso (a menos que o controle por voz presente no SDK seja liberado quando chegar ao iPad), mesmo com a tela grande, pois ele foi projetado para ser manuseado olhando-se para ele.
4.    Super Monkey Ball. Tanto quanto eu gostaria de usar o iPad para ver mapas de navegação personalizados e monitorar o desempenho do meu carro, é provável que um adolescente distraído sentado em seu Mustang V6 prestes a passar por cima de mim esteja jogando Super Monkey Ball ou lendo um blog. Tal como o iPhone, ele é muito bom para certas coisas – como a leitura de livros – que você nunca deve fazer enquanto dirige um carro.

Tudo isso não quer dizer que o iPad não tem lugar no carro. Ele é um sistema de entretenimento bem plausível para os passageiros do banco de trás, e muito mais barato que um DVD player com tela no encosto que custa 1.995 dólares em um Toyota Sienna. Imagine gastar apenas 499 dólares por tela crianças, e recheá-las com episódios de Dora The Explorer para manter suas bocas fechadas por todo o Canadá.

Quando a supertecnoexplosiva estréia do iPad aconteceu, eu já estava pronto para escrever sobre como essas coisas iriam parar em cada carro, mas não pude. Alguém vai instalar um iPad em um carro? Sem dúvidas. Só não será no meu carro.

UPDATE: Um iPad funcionando como manual do proprietário? É o que pensa nosso velho amigo Matthew Debord. Leia aqui.

por Matt Hardigree