Nove anos atrás, uma equipe de ecologistas de Yale montava o Map Of Life (MOL), um projeto que mostrou padrões de biodiversidade no contexto geográfico. Basicamente, ele é um mapa de calor sobre a vida animal. Mas agora, eles deram mais um passo adiante: estão mapeando os locais onde a existência de espécies ainda desconhecidas é mais provável, na esperança de que esses animais possam ser documentados antes que desapareçam.

A pesquisa da equipe foi publicada nesta segunda-feira (22) na revista Nature Ecology & Evolution. Eles pegaram mais de 32 mil espécies de quatro classes biológicas diferentes (anfíbios, répteis, mamíferos e pássaros) para calcular que tipos de vida que ainda não foram descobertos. Os resultados sugerem que uma grande quantidade permanece não catalogada na Terra, especialmente no sudeste da Ásia e no noroeste da América do Sul.

“Ao usar modelos para identificar fatores biológicos e ambientais de descobertas recentes, podemos fazer previsões bastante confiáveis ​​sobre qual proporção das descobertas futuras pode ocorrer em grupos razoavelmente grandes de espécies, como famílias de anfíbios, e em regiões, como o bioma Mata Atlântica no Brasil”, disse o coautor Walter Jetz, biólogo da Universidade de Yale, por e-mail ao Gizmodo. “Conforme rodamos esses modelos para todo o mundo e entre os principais grupos de vertebrados terrestres, isso oferece uma base intrigante para identificar lacunas e oportunidades para descobertas futuras.”

Mapear o “potencial de descoberta” desses animais incentiva as equipes de pesquisa a olhar especificamente para áreas onde é mais provável encontrar animais nunca antes registrados, disseram os autores. O resultado do mapeamento pode ser visto aqui.

“Esperamos mudar o foco de questões como ‘Quantas espécies desconhecidas existem por aí?’ para ‘Onde e quais?’”, disse Mario Moura, autor principal da pesquisa e biólogo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). “É impressionante ver a importância das florestas tropicais como berços de descobertas, reforçando a necessidade urgente de proteger as florestas tropicais e interromper as taxas de desmatamento se quisermos ter a oportunidade de realmente descobrir nossa biodiversidade.”

Moura disse que estimativas anteriores de descobertas de espécies são calculadas anualmente desde 1758, o ano em que Carl Linnaeus deu início às nomenclaturas binomiais. No entanto, elas só contêm o número de espécies. Esta abordagem não leva em consideração fatores importantes como o habitat ou o tamanho das espécies. Por isso, não é de se admirar que o nano-camaleão de Madagascar tenha sido catalogado apenas neste ano.

O desmatamento e os incêndios na Amazônia são uma grande ameaça para as espécies locais. Foto: Foto de JOAO LAET/AFP via Getty Images (Getty Images)

No entanto, quantificar a biodiversidade em termos geográficos focados no futuro, sabendo que vale mais a pena investigar Madagascar do que a Nova Zelândia, por exemplo, serve como uma heurística para a busca de espécies não descobertas e criticamente ameaçadas de extinção. Esse é o caso do Popa langur, uma espécie de macaco em Mianmar — também um hotspot de biodiversidade na avaliação mais recente da equipe.

É lamentável que os humanos tenham favorecido ganhos industriais que resultam em perdas para a vida selvagem. Mesmo nos confins mais remotos do planeta, a humanidade encontra uma maneira de causar um impacto negativo.

Mas é exatamente por isso que existe este projeto: para ter uma noção do que está lá fora, antes que nenhum registro permaneça, disseram os autores.

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“É um projeto fascinante, que reúne uma infinidade de conjuntos de dados sobre a distribuição das espécies e nos permite conhecer melhor os padrões de biodiversidade no planeta”, disse Moura. “Esperamos motivar cientistas, cidadãos e entusiastas da biodiversidade sobre a importância da descoberta de espécies e iniciar discussões e acordos entre os responsáveis ​​pelas tomadas de decisões e projetos de conservação.”

Embora as estimativas da equipe não sejam precisas, a ideia é que tais previsões promovam abordagens específicas para futuras descobertas de campo. Em outras palavras, eles querem trabalhar de forma mais ágil para encontrar espécies desconhecidas que possam estar em perigo.