Embora a pandemia de Covid-19 tenha prejudicado grande parcela do setor varejista, um item que disparou em vendas foram as máscaras. Hoje em dia é possível encontrar lojas, quiosques e barracas em qualquer esquina, shopping ou estação de metrô. Mas essa variedade de modelos não significa que são todos eficientes.

A moda mais recente é uma máscara transparente de policarbonato, chamada M85. Vendida por algo em torno de R$ 25 e R$ 30, ela é promovida como um produto inquebrável, com benefícios estéticos — já que permite ver o rosto todo da pessoa por trás do acessório, e maior facilidade para respirar.

O problema é que a M85 ignora o principal objetivo das máscaras: proteger contra a transmissão do coronavírus. De acordo com infectologistas que conversaram com a BBC News Brasil, o material de policarbonato não filtra o ar inspirado ou expirado e, além disso, não se ajusta ao rosto de forma adequada.

Pesquisas anteriores já mostraram que o grau de eficácia das máscaras está associado exatamente à capacidade de o material filtrar o ar e o ajuste ao rosto para que não haja nenhuma fresta que permita que o ar circule livremente. Por esse motivo, alguns estudos sugerem, inclusive, que o uso de duas máscaras pode reduzir ainda mais o risco de transmissão.

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Um ponto levantado pelos infectologistas ouvidos pela BBC Brasil é a falta de informação e posicionamento dos órgãos de saúde. Tanto a Anvisa quanto o Ministério da Saúde não apresentam qualquer recomendação sobre os tipos de máscaras que são, de fato, eficazes. Os profissionais alertam que o uso desses itens não deveria ser permitido em estabelecimentos e locais públicos, já que não estão de acordo com as recomendações de segurança que devem ser seguidas.

As máscaras M85 são vendidas pelo site Máscara Cristal e produzidas por Ana Paula Lourenço e seu namorado, que trabalhava com a produção de capacetes. Lourenço afirmou à BBC que procurou a Anvisa quando decidiu iniciar as vendas para questionar sobre a necessidade de alguma certificação. A resposta que obteve do órgão regulador foi que o produto só deveria ser certificado caso as vendas fossem para uso profissional, como médicos e enfermeiros, o que ela diz não ser o caso.

Ao mesmo tempo, Lourenço diz que já viu médicos utilizando a máscara criada por ela e que ficou feliz por ver seu produto sendo validado pelos profissionais. Ela afirma que já conta com 130 revendedores da M85 no Brasil.

[BBC]