Médicos na Alemanha acham que uma máquina de lavar inocente ajudou a espalhar uma superbactéria para mais de uma dúzia de recém-nascidos e crianças no mesmo hospital — embora, felizmente, ninguém tenha ficado gravemente ferido.

A resistência aos antibióticos tornou-se uma grande ameaça à saúde pública ao longo dos anos, e isso é visto de maneira clara em alguns hospitais. A presença constante de antibióticos, pacientes doentes com sistema imunológico fraco e contato corporal regular entre as pessoas tornam os hospitais o local ideal para resistência. Para combater e rastrear o problema, muitos hospitais em todo o mundo agora testam rotineiramente pacientes e superfícies hospitalares em busca de superbactérias problemáticas conhecidas.

Este é o pano de fundo de um novo estudo de caso publicado nesta sexta-feira (27) no Journal of Applied and Environmental Microbiology.

De acordo com o estudo, uma varredura de rotina em um hospital infantil no oeste da Alemanha em 2012 descobriu que os recém-nascidos em uma unidade de terapia intensiva neonatal estavam começando a carregar uma cepa única de bactérias resistentes chamada Klebsiella oxytoca. O mesmo germe também foi encontrado mais tarde em uma criança alojada em uma enfermaria de pediatria nas proximidades. Versões de K. Oxytoca vivem inofensivamente em nosso intestino, mas também podem causar infecções graves e com risco de morte, principalmente em hospitais.

Entre abril de 2012 e maio de 2013, foi descoberto que 14 crianças continham a mesma superbactéria. Mas, felizmente, a bactéria não causou doença. Ainda assim, dado o potencial de danos graves, os médicos começaram a testar sua equipe e todos os cantos do hospital para descobrirem a fonte.

O único elo claro que eles acabaram encontrando foi uma máquina de lavar no mesmo andar da unidade de terapia intensiva. Os níveis de K. Oxytoca nas superfícies da máquina e a água utilizada eram os mais altos. Mais importante, porém, o germe também foi encontrado nas toucas e meias de malha usadas regularmente para aquece os recém-nascidos nessas unidades.

Historicamente, máquinas de lavar roupa que lavam nossas roupas a temperaturas altas o suficiente para matar quase todos os germes têm sido usadas em residências, lavanderias e especialmente em hospitais. Porém, máquinas com maior eficiência energética começaram a baixar a temperatura da água ou a usar menos calor durante certos ciclos. E, como os autores afirmam, as roupas foram contaminadas pela água deixada na máquina após a lavagem e/ou pelo ciclo final de enxágue, “que passou água sem aquecimento e sem detergente pelo compartimento de detergente”.

Após a descoberta, o hospital trocou a máquina de lavar roupa (além de duas pias de água que também continham traços da superbactéria). E posteriormente, nenhuma outra criança foi detectada com a bactéria. Mas se o palpite deles estivesse certo, isso poderia ter sérias implicações para hospitais e outros focos de resistência a antibióticos que possuem máquinas de lavar próprias, como casas de repouso.

“Se os idosos que necessitam de cuidados de enfermagem com feridas abertas ou cateteres da bexiga, ou pessoas mais jovens com lesões supurantes ou infecções vivem no local, a roupa deve ser lavada a temperaturas mais altas ou com desinfetantes eficientes, para evitar a transmissão de patógenos perigosos”, disse o autor do estudo Martin Exner, presidente e diretor do Instituto de Higiene e Saúde Pública da Universidade de Bonn, em comunicado divulgado pela American Society For Microbiology. “Este é um desafio crescente para os higienistas, pois o número de pessoas que recebem cuidados de enfermagem de familiares está aumentando constantemente”.