Pra resumir, Jill Price, 42 anos de idade, é capaz de se lembrar de tudo desde o ano de 1980. Isto é ótimo se ela quer se lembrar exatamente onde e quando foi que o O.J. Simpson foi preso, mas horrível se ela quer se esquecer de uma situação embaraçosa, uma pessoa amada que faleceu ou quaisquer minúsculos erros que qualquer um tenha cometido contra ela. No caso de Price, ela na verdade não é tão boa assim com todos os tipos de recapitulação de memória, mas ela é capaz de se lembrar com exatidão como ela se sentiu durante certos momentos. O pesquisador que estudou o caso dela e a sujeitou a cinco anos de testes diz que é de fato uma parte da arquitetura do nosso cérebro que nos faz esquecer as coisas. Se houvessem muitas conexões, “o cérebro ficaria desesperadoramente sobrecarregado e operaria mais lentamente”. (artigo completo aqui)

Mas nos próximos 50 anos, aproximadamente, a super memória pode não ser relegada somente ao reino dos indivíduos com peculiaridades genéticas específicas, mas pode sim pertencer a todos por meio da memória assistida por computador. Eis um dos muitos projetos de pesquisa dedicados a este assunto. E eis um artigo do New York Times que fala sobre substituir neurônios vivos por neurônios de silício. Tudo isso está muito distante ainda da nossa realidade, mas você faria isso se pudesse?

Não: se só significasse um aumento do que já temos, ou seja, a habilidade de gerar mais memórias, como Jill Price, mas nenhum controle superior sobre elas. Sem entrar muito no existencialismo, mas o que você faria se você não pudesse se esquecer de nada? Você seria como o Leonard do filme Amnésia, que revivia a morte da esposa toda vez que qualquer coisa o lembrasse dela. Você se alienaria por não ser capaz de perdoar as indiscrições alheias. Não, muito obrigado.

Sim: se a tecnologia desse a você habilidades extras de controlar a sua memória. Você poderia acessar qualquer coisa que desejasse do passado – onde as suas chaves estão, por exemplo – mas controlaria o que você quisesse rememorar. Já existe uma substância química que apaga memórias específicas ou distantes. Teve um dia ruim no escritório? Bloqueie a lembrança, ou pelo menos bloqueie as emoções associadas ao dia. Um parente se foi? Insira tecnologicamente uma certa distância entre você e o evento, permitindo que as marcas mentais se curem mais rapidamente. Esta opção introduz muitas outras implicações que são mais filosóficas do que devemos discutir por aqui, mas conforme fazemos cada vez mais modificações corporais, isto é algo no qual devemos pensar.

E você, o que pensa? Que opção você escolheria? [Spiegel via Boing Boing]