Usando um telescópio terrestre, um time internacional de astrônomos detectou traços de atmosfera localizado a 39 anos luz de distância. Esse exoplaneta não é muito maior do que o nosso, o que o torna o planeta mais parecido com a Terra que se sabe suportar uma atmosfera.

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Detectar atmosferas ao redor de exoplanetas distantes não é algo especial, particularmente quando o exoplaneta em questão é tão grande quanto Saturno ou Júpiter. Mas, para planetas menores, do tamanho da Terra, a história é outra.

Antes dessa recente descoberta, os astrônomos tinham confirmado a presença de atmosferas em apenas dois planetas super-Terra do tamanho da Terra, incluindo a super-Terra 55 Cancri e. O termo “super-Terra” é adequado; esse planeta pesa tanto quanto oito Terras, e suas temperaturas chegam a 2.050º C. Vamos encarar, 55 Cancri e não é tão parecido assim com a Terra.

É isso que torna a descoberta ao redor do exoplaneta GJ 1132b tão intrigante. Como descrito no Astronomical Journal, esse planeta é apenas ligeiramente maior do que o nosso, pesando cerca de 1,6 a massa da Terra e apresentando um raio apenas 1,4 vezes maior do que o do nosso planeta. É a super-Terra de menor massa a ter sua própria atmosfera, uma descoberta que pode representar um importante passo em direção à busca por vida alienígena.

Os astrônomos sabem da existência de GJ 1132b já há algum tempo, mas o time liderado pelo Max-Planck Institute for Astronomy queria ter uma noção melhor de sua composição química. Usando o equipamento de imagem GROND e um telescópio ESO/MPG de 2,2 metros no Chile, os astrônomos escanearam o planeta em diferentes comprimentos de onda enquanto ele fazia sua órbita ao redor de sua estrela anã vermelha a cada 1,6 dias.

“Nós observamos com que força a quantidade de luz vinda da estrela diminuía quando o planeta se movia em frente à sua estrela”, explicou o co-autor do estudo Paul Mollière, em uma entrevista ao Gizmodo. “Nós fizemos isso ao deixar a luz passar através de filtros de diversas cores e então descobrimos que o planeta parecia bloquear mais luz estelar em um desses filtros. Então, quando observado pela luz dessa cor específica, o planeta é maior.”

Essa perspectiva “maior” sugere a presença de uma atmosfera ao redor do GJ 1132b, que consiste possivelmente de água e vapor de metano. Essa atmosfera é opaca quando observada a uma frequência específica de luz infravermelha (fazendo o planeta parecer maior), mas é invisível em outras frequências. Esse não é o tipo de coisa que você vê em um planeta sem uma atmosfera.

Tom Louden, físico da Universidade de Warwick que não está envolvido no estudo, ficou impressionado que os astrônomos conseguiram fazer essas observações usando um telescópio terrestre relativamente pequeno. “A maioria dos outros estudos que detectam atmosferas em exoplanetas ou são telescópios de ponta no espaço ou telescópios terrestres muito maiores”, ele disse ao Gizmodo.

Louden também gostou da forma como os astrônomos mediram os múltiplos eventos de trânsito (quando o planeta passa em frente à sua estrela) em cada uma das bandas espectrais, tornando menos possível que o sinal tenha aparecido por causa de um erro ou alguma espécie de artefato visual. Ele diz que é completamente plausível que vapor de água seja a causa provável do sinal, mas argumenta que não existe prova suficiente para dizer com certeza que a água é responsável.

Esse agora é o menor planeta extrasolar que nós sabemos conter uma atmosfera. Mas, curiosamente, Louden diz que isso o torna menos provável de ser um planeta parecido com a Terra do que outros planetas nos quais ainda não detectamos atmosferas.

“Essa detecção implica que tem uma atmosfera grande e extensa, composta principalmente por hidrogênio e hélio, provavelmente mais similar a Urano ou Netuno do que à Terra”, disse Louden. “Para deixar claro, uma atmosfera que acharíamos ser parecida com a Terra seria completamente invisível a essas observações e às de qualquer outro telescópio existente.”

Bom, isso é bem chato. Ele está basicamente dizendo que nós ainda não temos a tecnologia para detectar uma atmosfera terrestre ao redor de um planeta parecido com a Terra e que a atmosfera que conseguimos detectar é de monstruosidades profundas e espessas, incapazes de suportar vida (ao menos a vida como a conhecemos). Espera-se que, com o lançamento do James Webb Space Telescope no ano que vem, isso mude, e nós possamos finalmente encontrar a Terra 2.0 que estamos procurando.

[Astronomical Journal]

Imagem do topo: Dana Berry