Estamos gerando dados mais rápido do que os fornecedores de armazenamento conseguem acompanhar, e esse problema só vai piorar. Na sexta-feira (13), a Western Digital anunciou um potencial divisor de águas que promete expandir os limites dos discos rígidos para até 40 TB, usando um cabeçote de escrita baseado em micro-ondas, e a empresa diz que ele estará disponível para o público em 2019.

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Embora pareça que o tempo todo existe alguém oferecendo teoricamente um “avanço”, a maioria de nós ainda tem discos magnéticos chamados platters em nossos computadores. Existem várias razões para isso, mas Greg Schulz, analista de armazenamento e operador da StorageIO, conta ao Gizmodo que tudo se resume a uma coisa: “economia”. Inovações no armazenamento de dados em SSDs não estão vindo rápido o bastante para acompanhar com a quantidade de dados que criamos, o custo do armazenamento flash ainda é caro, e a infraestrutura de fabricação necessária para a oferta não acompanhou o ritmo da demanda. A nova abordagem da Western Digital, a gravação magnética assistida por micro-ondas (MAMR, na sigla em inglês), pode utilizar a cadeia de produção atual da empresa para colocar muito mais armazenamento em um disco de menos de nove centímetros.

Em uma visão geral técnica, a Western Digital diz que conseguiu superar o maior problema com a armazenagem tradicional do disco rígido, o tamanho do cabeçote de escrita. Atualmente, um disco rígido médio chega no máximo a um alcance de 10 a 14 TB. Mas ao integrar um novo cabeçote de escrita, “um oscilador de torque de rotação”, as micro-ondas podem criar os níveis de energia necessários para copiar dados dentro de um campo magnético inferior ao que antes era possível. Tem um relatório mais completo para quem quiser mergulhar nisso.

Para o consumidor comum, a coisa mais importante a se entender é que a indústria queria colocar mais informações em um mesmo espaço de disco, esbarrou em um muro, e as micro-ondas parecem ter aberto novas possibilidades. De acordo com a Western Digital, a MAMR tem “a capacidade de estender os ganhos de densidade superficial em até 4 Terabytes por polegada quadrada”. Até 2025, a companhia espera estar colocando 40 TB no mesmo tamanho de disco que oferece hoje.

Embora a ideia de amontoar mais armazenamento dentro da mesma tecnologia que temos usado há anos possa não soar como um avanço dos mais empolgantes, essa é a melhor opção que temos agora. Ainda assim, isso só está nos dando um ganho em capacidade, não desempenho, e é por isso que sistemas híbridos são tão importantes. Schulz aponta que estamos sempre contando com hierarquias clássicas de memória para dar suporte à nossa demanda. No momento, os provedores de armazenamento em nuvem estão usando SSDs, HDs e fitas magnéticas simultaneamente para dar conta da demanda. “Não existe isso de recessão da informação ou dos dados, a cada ano tem mais (dado) sendo gerado”, disse. Então, precisamos continuar inovando em cima de tecnologias antigas, novas e futuras, ao mesmo tempo em que buscamos o jeito ideal de fazê-las funcionarem juntas.

Schulz diz que o armazenamento flash não será capaz de acompanhar a quantidade de dados sendo produzida “em um futuro previsível, talvez na próxima década”. Parte do motivo disso é a expansão dos produtos para consumidores que estão tomando todo o armazenamento flash. O que ele vê como futuro imediato ideal é uma combinação da tecnologia 3D Xpoint em SSDs, como a Memória Optane, da Intel, lidando com o front-end, e a mais lenta e economicamente viável MAMR lidando com o armazenamento robusto. “Elas são definitivamente melhores juntas”, afirma.

[Western Digital via BBC]

Imagem do topo: Wirebee