Há um ano, acontecia algo bizarro na Microsoft: pela primeira vez a empresa teve prejuízo, devido a um ajuste contábil. Este ano, ela também teve uma surpresa ruim: teve que fazer outro ajuste para considerar perdas de US$ 900 milhões com o Surface RT.

O tablet da Microsoft acabou vendendo pouco: ele demorou para chegar a varejistas, custava muito caro e não oferecia tantos bons apps quanto a concorrência. Ele até recebeu um desconto de US$ 150 na semana passada, provavelmente para limpar os estoques.

A Microsoft também teve que pagar US$ 733 milhões em multa para a Comissão Europeia, por violar acordo antitruste. A empresa se comprometeu a sugerir alternativas ao Internet Explorer, que acompanha o Windows 7, mas passou quatorze meses sem fazer isso. Ela decidiu não recorrer, assumindo “total responsabilidade pelo erro técnico”.

Nada disso impediu que a Microsoft tivesse um bom trimestre: ela teve lucro líquido de US$ 4,97 bilhões. A diretora financeira Amy Hood diz que o bom resultado veio da “demanda forte por nossos produtos empresariais e de nuvem”. De fato, o lucro operacional das divisões Negócios – que inclui o Office – e Servidor aumentou em relação ao ano passado.

Por sua vez, o prejuízo operacional foi reduzido em duas divisões: Serviços Online (que inclui Bing e Outlook.com) e Entretenimento e Dispositivos (Xbox, Skype, Surface, Windows Phone). No entanto, a diretora financeira reconhece que o resultado “sofreu impacto do declínio no mercado de PCs”: o lucro operacional da divisão Windows caiu 55% em um ano. Vejamos como o Windows 8.1 pode ajudar a reverter esse quadro.

Neste mês, Steve Ballmer anunciou uma reorganização da Microsoft: Windows, Windows Phone e o sistema operacional do Xbox agora farão parte da mesma divisão. Por sua vez, todo o hardware – como Xbox e Surface – fará parte de outra divisão. E aplicativos e serviços como Office, Skype e Bing serão comandados por uma terceira pessoa. Ou seja, a estrutura que mencionamos acima será alterada daqui para a frente. É a aposta para tornar a Microsoft ainda maior – e com resultados financeiros ainda mais colossais. [Microsoft via The Verge]