A situação financeira do Surface, que já não era boa, ficou um pouco pior com a publicação do faturamento total que a Microsoft teve com o tablet. Para se ter uma ideia, a empresa gastou mais com o aumento na publicidade do aparelho (e do Windows 8) do que faturou com o mesmo.

Todo ano a Microsoft tem que submeter um documento chamado Form 10-K à Comissão de Valores Mobiliários norte-americana. No deste ano, enterrado em outros diversos dados, apareceu o faturamento total que ela teve com os tablets Surface (RT e Pro). Quanto? US$ 853 milhões.

Os números vão do lançamento do Surface RT, no final de outubro do ano passado, até o fim de junho desde ano, quando o ano fiscal da empresa terminou, e englobam também as vendas do Surface Pro, lançado em janeiro. Eles não distinguem as vendas de cada sabor do Surface, mas mesmo no cenário hipotético mais positivo, considerando apenas vendas do modelo mais barato (o Surface RT básico, de US$ 500), esse faturamento se traduziria em 1,7 milhão de unidades vendidas. O que é pouco, dentro das expectativas da Microsoft e comparado aos concorrentes.

As vendas ficaram bem abaixo do que a Microsoft esperava, tanto que recentemente foi aplicado um corte de US$ 150 no preço de tabela do Surface RT — só aí a Microsoft já perdeu mais do que ganhou com os tablets; o prejuízo com o desconto ficou em US$ 900 milhões. Com a publicidade, focada em Surface e Windows 8, os custos aumentaram em US$ 898 milhões, mais uma vez superando tudo o que a empresa ganhou com o equipamento.

Parece que, no fim das contas, quem menos gostou do Surface foram os contadores e investidores da Microsoft. O baque não deve impedir a empresa de continuar investindo no tablet, mas é de se pensar em como esse tanto de número ruim relacionado a ele afetará a estratégia. Ballmer vai pisar no freio ou dobrar a aposta? [GeekWire]