Quando a Microsoft apresentou o HoloLens há quatro anos, supostamente ela mudou a indústria. Mas será que realmente mudou? Quer dizer, você não pode realmente comprar um HoloLens, e seus aplicativos têm sido, em grande parte, relegados a um conjunto de propósitos de empresas de nicho e potencialmente aos militares. Para mim, o HoloLens era uma tecnologia incrivelmente promissora que sempre parecia estar à beira da grandeza, mas faltava um ou dois elementos críticos para que isso acontecesse. O Hololens 2 parece estar consertando isso, e a Microsoft passou uma boa hora falando sobre como ele será a ferramenta empresarial do futuro próximo, mas algumas mensagens estranhas destinadas a nos seduzir certamente confundiram a nós, pessoas que não são empresas.

Mas, primeiro, falemos da parte da mensagem que não foi confusa. O HoloLens 2, o ambicioso headset de realidade mista da Microsoft, pode ser a segunda chance de que a empresa precisa. Desde o início, com o HoloLens 2, a Microsoft espera atender a três das maiores críticas que as pessoas tinham sobre seu headset de primeira geração: imersão, conforto e valor.

Captura de tela: Microsoft

Para a imersão, a Microsoft diz que dobrou o campo de visão do HoloLens 2 sem diminuir sua resolução de 47 pixels por grau de visão (ppd), que é muito perto do cobiçado 60ppd que alguns afirmam ser o ponto em que os pixels individuais não podem mais ser distinguidos pelo olho humano. Mas, além disso, o HoloLens 2 tem agora rastreamento ocular e escaneamento de íris, de modo que você pode entrar no seu headset apenas o colocando, enquanto o headset acompanha sua visão a fim de identificar o que você está olhando.

Mas a maior atualização das habilidades de imersão do HoloLens 2 é o rastreamento manual totalmente articulado que permite que você interaja com os hologramas como se fossem reais. No que diz respeito à usabilidade, o HoloLens 2 também apresenta microfones melhorados para que você possa fazer coisas como chamar aplicativos ou objetos distantes para perto de você sem precisar caminhar fisicamente e pegá-los.

Quanto ao conforto, a Microsoft diz que, para criar o HoloLens 2, a empresa primeiro escaneou as cabeças de milhares de pessoas de várias raças e etnias para criar um headset projetado para ser confortável em praticamente qualquer um. A companhia afirma que colocar o HoloLens 2 deve ser tão confortável quanto colocar o seu chapéu favorito.

Captura de tela: Microsoft

O HoloLens 2 é construído a partir de uma mistura de plástico e fibra de carbono, de forma que o pouco peso na sua cabeça permaneça uniforme, sem comprimir ou empurrar os pontos de pressão. Dito tudo isso, a Microsoft destaca o HoloLens 2 como três vezes mais confortável do que o original.

No entanto, o maior obstáculo do HoloLens 2 é se tornar economicamente atraente para potenciais clientes. Atualmente, a Microsoft diz que as empresas precisam dentre três a seis meses apenas para desenvolver o software necessário para que seu headset valha a pena ser usado. Porém, com a experiência da empresa na implantação do HoloLens nos últimos quatro anos, a Microsoft afirma que usou o feedback dos clientes e ferramentas desenvolvidas durante esse tempo para criar pacotes de software adequados aos funcionários dos setores de medicina, arquitetura e outras indústrias.

Captura de tela: Microsoft

Outra forma de o HoloLens 2 poder fornecer valor é que ele também pode servir como uma máquina de telepresença, permitindo que trabalhadores de todo o mundo colaborem entre si em um espaço virtual compartilhado.

No evento de imprensa da Microsoft no MWC 2019, a empresa exibiu uma demonstração em que os funcionários da Mattel puderam ver modelos 3D de brinquedos no espaço virtual que estavam visualizando, para entender melhor e melhorar seu design sem precisar estar fisicamente na mesma sala. A Microsoft afirma até mesmo oferecer a possibilidade de simplesmente dizer uma palavra e fazer com que o HoloLens 2 crie um holograma daquele objeto. Esses objetos podem então ser agrupados, compartilhados e organizados como quiser.

Para todas as empresas que anteriormente eram forçadas a personalizar seus headsets para atender às suas necessidades individuais de negócios, a Microsoft está lançando um pacote de personalização que permite que as empresas ajustem o HoloLens 2 às suas necessidades. Portanto, para indústrias como a de construção, a Microsoft conseguiu estabelecer uma parceria com a Trimble para criar um headset HoloLens 2 com um capacete de segurança certificado para local de trabalho integrado.

E, claro, com a Microsoft investindo pesado em computação na nuvem por meio de sua plataforma Azure, o HoloLens 2 deve ter a capacidade de se conectar a servidores para construir e compartilhar hologramas com facilidade.

No entanto, no final do evento do domingo (24), a Microsoft começou a confundir sua própria mensagem, falando sobre algo que pode deixar os clientes da empresa apreensivos — um ecossistema aberto. A empresa apresentou alguns fundamentos para governar como funciona e opera o software do HoloLens 2 e prometeu que a loja de aplicativos do headset estará aberta a todos os tipos de desenvolvedores, terá navegação aberta na web e será baseada em uma plataforma aberta acessível a todos os níveis de usuários e desenvolvedores.

Em seguida, a companhia trouxe o chefe da Epic Games, criadores do Fortnite, que falou sobre o quanto estava feliz pela plataforma de aplicativos do HoloLens 2 ser aberta e prometeu que a Epic Games estaria comprometida com um ecossistema aberto também.

Ecossistemas abertos e desenvolvedores de jogos geralmente não são o que associamos a plataformas focadas em empresas como o HoloLens 2 parece ser. Todos esses comentários pareceram destinados ao restante de nós, indícios de que um dia o HoloLens poderia sair do espaço corporativo e entrar em nossas casas.

Só não espere por isso tão cedo. A segunda geração de headsets de realidade mista da Microsoft estará disponível no final deste ano e terá um preço único de US$ 3.500, também disponível para pagamentos de US$ 125 por mês. Isso é pelo menos US$ 1.500 menos do que o primeiro HoloLens, mas ainda está longe do que um consumidor geral gostaria de gastar.