O HoloLens foi apresentado em janeiro com a promessa de integrar objetos e ambientes virtuais no mundo real. A Microsoft vai vendê-lo para desenvolvedores por US$ 3.000 no ano que vem: é um preço salgado para consumidores, mas pode ser interessante para empresas.

Por isso, a Microsoft e a Volvo trabalham juntas há meses para testar o HoloLens na experiência de adquirir carros. O resultado é bem interessante, mas tem suas limitações.

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Usando o HoloLens

Como explica o New York Times, uma grande sala na sede da Microsoft imita o estilo de uma concessionária minimalista da Volvo. Há uma plataforma giratória para carros, porém nada em cima dela. Mas se você usar o HoloLens, vê nela uma representação digital do Volvo S90, um novo sedã que será apresentado oficialmente em janeiro.

Em uma mesa pequena, você verá um modelo em miniatura do carro com o HoloLens. Toque um dedo no ar para selecionar a cor do veículo e dos detalhes, e o pequeno modelo voa para a plataforma giratória do outro lado da sala. Você pode andar ao redor e ver o carro a partir de ângulos diferentes.

Também é possível desmontar o carro com as mãos. Toque nele para ver o sistema de transmissão, que na verdade tem dois motores – um deles elétrico, e outro movido a combustão.

Volvo e Microsoft Hololens (1)

Em seguida, o Volvo S90 volta para a mesa pequena e mostra seus recursos de segurança com interatividade: ande ao redor e veja como as câmeras e detectores de radar acompanham você em 360 graus. Sean Hollister diz na CNET que passou na frente do carro em miniatura e ele buzinou para informar que detectou um pedestre.

Tem mais: você olha para cima e surge uma estrada virtual, estendendo-se até uma das paredes da sala, para mostrar como o S90 pode dirigir sozinho em rodovias, respeitando as marcações de pista e mantendo distância dos veículos à frente.

Limitações

Tudo isso parece ótimo! Qual é o problema? Um deles, como aponta o New York Times, é o campo limitado de visão:

Imagine um pequeno retângulo suspenso a vários centímetros na frente de seus olhos, uma forma que viaja para onde quer que você vire a cabeça. Esta é a tela do HoloLens. Ele não projeta nada na visão periférica do usuário, nem acima ou abaixo desse retângulo. A experiência é muito menos envolvente do que a realidade virtual do Oculus Rift… É um pouco como a diferença entre olhar para uma tela IMAX e uma TV de 36 polegadas.

A CNET também menciona isso: “você só vê objetos holográficos dentro de aproximadamente um campo do tamanho de um smartphone a 30 cm do seu rosto”. É um problema que mencionamos por aqui antes, e que a Microsoft não vai resolver antes do lançamento.

Outra limitação é que o HoloLens não permite que você chegue muito perto dos objetos – eles simplesmente desaparecem. Do The Verge:

Como acontece em muitas demonstrações do HoloLens, os objetos só são coerentes à distância e num ângulo muito específico. Ao conhecer um carro, você quer chegar perto e ter uma noção de seu tamanho, mas o HoloLens desfaz o carro em pedaços ou faz com que ele desapareça completamente.

Ainda assim, a Volvo planeja começar a usar o HoloLens nas suas concessionárias em 2016, enfatizando que o headset nunca irá substituir um test drive em pessoa.

A Volvo já fez testes com realidade aumentada antes: no ano passado, ela lançou um aplicativo para o Google Cardboard que simula a experiência de dirigir um XC90:

[New York TimesCNETGeekwireThe Verge]