Apenas seis semanas depois do lançamento, os aparelhos Kin, da Microsoft, aqueles celulares voltados às redes sociais, morreram. A empresa está desligando as luzes, nos informou uma fonte próxima à Microsoft.

Não existirão mais produtos da linha Kin. Como efeito imediato, Andy Lees colocará toda a equipe do Kin dentro da equipe do Windows Phone 7, para criar um grande grupo focado apenas no Windows Phone 7.

A principal razão? Vendas. A Microsoft nunca confirmou (ou negou) que apenas 500 Kins foram vendidos, mas é visível que a resposta do público foi completamente abaixo do esperado. Por outro lado, por que matar em seis semanas um projeto que estava em desenvolvimento há anos? (E que custou milhões de dólares.)

O principal motivo, além do bizarro, aleatório e com ar de falso descolado marketing do produto? O preço. A Verizon colocou o Kin na prateleira dos smartphones, cobrando planos de dados como se ele fosse um celular inteligente, algo que ele não é. Mesmo cortando o preço do aparelho drasticamente, nada diminuiria o altíssimo custo do plano mensal. (A publicidade confusa, que misturava o Kin com o Windows Phone 7, não ajudou nem um pouco.)

As poucas pessoas que compraram o Kin continuarão tendo suporte técnico da Microsoft, mas a promessa de atualizações de software foi embora com o vento. Parece seguro dizer que, no entanto, o Kin não iria se desenvolver do jeito que nós imaginamos. Esperamos que, pelo menos, as coisas que nós realmente amamos no aparelho – como o Kin Studio – façam parte do Windows Phone 7 de algum jeito.

A declaração oficial da Microsoft sobre o assunto é vaga, mas diz:

Nós tomamos a decisão de nos focarmos exclusivamente no Windows Phone 7 e nós não começaremos a vender o KIN na Europa nos próximos meses, como planejado. Além disso, estamos integrando a equipe do KIN com a equipe do Windows Phone 7, incorporando ideias e tecnologias valiosas do KIN para os futuros lançamentos do Windows Phone. Nós continuaremos a trabalhar com a Verizon nos EUA, vendendo os atuais aparelhos KIN.” [a ênfase na primeira frase é minha]

Não é o primeiro grande projeto inovador de engenharia e design que a Microsoft assassina nos últimos meses, mas é o primeiro que realmente chegou ao mercado antes de ir para a guilhotina. Enquanto isso, a Verizon diz que “os Kin continuam sendo parte importante de nosso portfólio”.

No fim das contas, é uma notícia surpreendente.

E se o Kin tivesse vindo para o Brasil?

Os dois aparelhos do projeto Kin nunca foram vistos com ótimos olhos nos EUA, principalmente por causa do preço de seus planos. O erro de estratégia em grande parte é da Verizon (mas é claro que a Microsoft deveria ter feito algum tipo de intervenção). Mesmo assim, os aparelhos não são de todo mal. O problema é que eles ficaram limitados aos EUA – a expansão à Europa não aconteceu e não havia sinal algum de que ele pudesse chegar em algum outro país.

Mas se tivesse chegado por aqui, o Kin poderia encontrar um cenário diferente dos EUA. Com uma estratégia mais inteligente por parte das operadoras, chegar a um país com um cenário de smartphones ainda embrionário é bem diferente do que mergulhar de cara no mercado americano. Por aqui, os jovens ainda querem um bom celular. As empresas sabem disso. A expansão de celulares de baixo custo com foco em redes sociais – MotoCubo, Samsung Star, Corby etc. – começa a dar espaço para aparelhos com o mesmo foco, porém mais habilidosos – caso do Xperia X10 mini e do Motorola FlipOut.

Para a molecada que não é tão ligada em tecnologia, se os dois aparelhos com Android estivessem lado a lado com algum dos Kin numa loja, não é estranho imaginar que eles escolhessem o modelo da Microsoft. Além da empresa ter um nome respeitoso – nem todos os seus amigos sabem o que é Android, mas qualquer um sabe o que é a MS – os aparelhos tinham um apelo interessante. Infelizmente, a Microsoft não mostrou destreza alguma para lidar com o mercado americano. Vamos ver se eles tiram uma lição disso para não fazer o mesmo com o Windows Phone 7.