Como é que a Microsoft — aqueles filhos da mãe! — conseguiram patentear o "sudo", comando usado no Linux há anos, sem ninguém se opor? Fácil: eles não patentearam.

A história chamou bastante a atenção semana passada, a maior parte girando em torno de afirmações exaltadas:

Cá está, patente número 7617530. Valeu, USPTO, por dar à Microsoft, que já é um monopólio, o monopólio de algo que é usado desde 1980 e que não foi inventado pela Microsoft.

Isto vem do site Groklaw, especializado em assuntos jurídicos de programas gratuitos e de código aberto. Mas por algum motivo (raiva? audiência?), a leitura deles da patente, que nós reproduzimos, na verdade é exagerada. Segundo o responsável pelo sudo, Todd Miller:

"Eu já recebi várias perguntas sobre a patente americana 7.617.530, que algumas pessoas acreditaram que envolveria o sudo. Eu não acho que seja o caso", escreve ele. "O sudo simplesmente não funciona desta forma. Quando um comando é rodado pelo sudo, o usuário está efetivamente rodando o comando como um usuário diferente. O que é descrito pela patente é um mecanismo pelo qual um aplicativo ou o sistema operacional detecta que uma ação precisa ser realizada com privilégios superiores e oferece ao usuário uma lista de potenciais usuários, que têm o nível adequado de privilégios para realizar a tarefa."

Então o que a patente da Microsoft cobre?

Especificamente, ela descreve uma interface de usuário que exibe contas que têm os direitos necessários para realizar certa ação, quando o usuário está proibido de realizar uma ação que requer privilégios superiores.

É parecido com o sudo, mas não o suficiente.

– Me faz um sanduíche.
– Como é que é? Faz você!
– Sudo me faz um sanduíche.
– Ok.

Aparentemente, existe uma ferramenta para Linux, chamada PolicyKit, que é parecida com o que a Microsoft patenteou: ela pede ao usuário para mudar para uma conta de usuário de nível superior quando se atinge uma barreira de permissão. Ela foi criada depois que a patente foi registrada, mas antes que a patente tenha sido publicada. Então, Microsoft: você é inocente. [Ars Technica]