Desde o lançamento do Windows 10 no fim de julho, a Microsoft vem sofrendo uma série de críticas em relação aos termos de privacidade do seu sistema operacional. A Microsoft decidiu dar uma explicação para essas coisas, em uma tentativa de acalmar os ânimos dos usuários.

A verdade é que as coisas são bem menos preocupantes do que isso. Mas a forma como a Microsoft divulgou os termos de privacidade – na forma de um documento gigantesco em juridiquês que só pessoas com forte conhecimento na área talvez consigam entender – não ajudou muito.

Por isso, o post de Terry Myerson no blog oficial do Windows 10 visa dar uma tranquilizada nos usuários, explicando com mais clarezas alguns dos mais polêmicos pontos desses termos de privacidade:

Desde o começo, projetamos o Windows 10 com dois princípios diretos de privacidade em mente:

1. O Windows 10 coleta informações para que o produto funcione melhor para você.
2. Você está no controle com a capacidade de determinar quais informações são coletadas.

Com o Windows 10, as informações que coletamos são criptografadas em trânsito para nossos servidores, e então armazenadas em instalações seguras.

O que a Microsoft alega fazer aqui não é lá muito diferente do que faz o Google ao usar todas as informações que consegue a partir de como você usa todos os seus diferentes serviços – o Android, Chrome, YouTube, Gmail – e assim oferecer um serviço mais indicado para você. Pense no Google Now, que junta informações de todos os serviços que citei (e muito mais) para tentar mostrar para você a informação que você quer no momento que você precisa.

A ideia do Windows 10 é a mesma: coletando dados do que você faz no sistema operacional, a Microsoft espera conseguir adaptá-lo melhor para o seu uso. É a ideia de usar a inteligência artificial para facilitar a sua vida – e, para isso dar certo, essa AI precisa te conhecer.

As “instalações seguras” citadas pela Microsoft foram detalhadas por Ed Bott na ZDNet:

No Windows 10, dados de telemetria são armazenados em servidores dedicados que são usados exclusivamente para fins de confiabilidade. Eu vi diversas análises usarem packet sniffers que apontam um dedo suspeito aos IDs únicos inclusos em cada pacote. Mas como engenheiros da Microsoft explicaram no passado, o objetivo dos identificadores não é marcar uma pessoa específica – em vez disso, o ID é essencial para dizer se 100 relatos de problemas idênticos vêm de um único dispositivo ou de 100 dispositivos diferentes.

Isso nos leva a outro ponto importante: como o Windows 10 usa essas informações para correção de erros. Myerson defendeu como essa coleta de dados é benéfica: ele citou um caso no mês passado, quando um driver gráfico específico começou a fazer alguns computadores com Windows 10 reinicializarem sozinhos. A Microsoft, com dados de todos os usuários que usam esse driver, e com informações sobre a falha coletada a partir dos que escolheram compartilhar com a empresa seus dados, falou com a desenvolvedora do driver, que conseguiu em menos de 48 horas chegar a uma solução para o erro.

Ou seja, a Microsoft sabe que um computador com determinado driver deu problema, mas não consegue saber exatamente que é o seu computador. De acordo com Myerson, os dados são enviados anonimamente, e, por serem criptografados, não é possível vinculá-los novamente a você.

A Microsoft diz que é diferente de outras empresas, e que não vasculha seus emails para te vender como um produto para anunciantes. Myerson deu uma alfinetada nessa prática do Google:

Diferentemente de outras plataformas, não importando quais opções de privacidade você escolha, nem o Windows 10 nem nenhum outro software da Microsoft vai vasculhar o conteúdo dos seus emails ou de outras formas de comunicação, nem seus arquivos, para enviar publicidade direcionada a você.

A Microsoft vai conseguir acalmar os ânimos dos usuários com esse post? Talvez, mas o importante aqui é a empresa tenha se explicado para seus usuários, mesmo que ela tenha demorado dois meses para isso. É compreensível que as pessoas estejam preocupadas com a questão da privacidade em tempos de espionagem governamental entre outras coisas, e, por isso, é sempre bom ser transparente com os usuários ao explicar quais dados exatamente serão solicitados o que exatamente – e o que eles vão receber em troca disso. [Microsoft]