Membros das Forças Armadas dos Estados Unidos e funcionários do Departamento de Defesa não podem mais usar apps ou certos dispositivos que rastreiem sua localização em áreas operacionais. Isso significa o fim do uso de Fitbits e outros medidores de atividade física em zonas de guerra, pessoal. Dá para acreditar que isso era permitido até agora?

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“Não queremos dar ao inimigo qualquer vantagem injusta”, disse o coronel do exército norte-americano Rob Manning, porta-voz do Pentágono, a repórteres nesta segunda-feira (6). “Este é um passo necessário para garantir a segurança do nosso pessoal.”

A proibição foi anunciada pela primeira vez em um memorando do vice-secretário de Defesa, Patrick Shanahan, em 3 de agosto. Ela vem na sequência de uma investigação que durou meses sobre o uso de aplicativos de rastreamento de localização, depois que o app de fitness Strava publicou um mapa de calor global que acidentalmente revelou a localização de várias bases militares dos Estados Unidos.

A resposta do Pentágono também vem depois de um relatório do órgão de auditoria Government Accountability Office (GAO) feito para o Congresso dos Estados Unidos pedindo “avaliações e orientações aprimoradas… para tratar dos riscos de segurança no Departamento de Defesa” trazidos por dispositivos de internet das coisas.

As palavras exatas do novo memorando do Pentágono fazem o problema de soldados e outros funcionários do Pentágono usando apps de localização soar ainda mais sério:

O mercado em rápida evolução de dispositivos, aplicativos e serviços com capacidades de geolocalização apresenta um risco significativo para o pessoal do Departamento de Defesa em serviço e fora dele e para as nossas operações militares em todo o mundo. Esses recursos de geolocalização podem expor informações pessoais, localização, procedimentos habituais e números de pessoal do Departamento e, potencialmente, criar consequências não intencionais de segurança e aumentar o risco para a força e a missão conjuntas.

O memorando vai além e especifica que o banimento proíbe o uso de “recursos e funcionalidades de geolocalização em dispositivos emitidos e não emitidos pelo governo, aplicativos e serviços enquanto estiver em locais designados como áreas operacionais”. Vale apontar que as Forças Armadas dos EUA têm várias áreas operacionais que incluem não apenas zonas de guerra em Afeganistão, Iraque e Síria, mas também partes do Leste Europeu e da África, para onde milhares de tropas foram enviadas. Portanto, é uma proibição bastante abrangente.

Este banimento, no entanto, não é surpreendente. A polêmica da Strava serviu como um alerta para autoridades avançadas do Pentágono, com pelo menos uma delas admitindo usar um Fitbit, dispositivo de rastreamento de localização, o tempo todo. Ele também destaca o debate mais amplo em torno do uso de tecnologia pelos militares e de como eles lidam com cibersegurança.

Durante anos, o Pentágono tem experimentado um uso cada vez maior de smartphones e tablets em situações táticas. Embora soldados a serviço possam carregar seus dispositivos pessoais para áreas operacionais, eles não podem levá-los consigo para missões, então lhes restam rádios criptografados de comunicação que não mudaram muito desde a Segunda Guerra Mundial. Agora, a necessidade do Pentágono de lidar com a desconexão da rede parece mais urgente do que nunca.

Por ora, não está claro o que irá acontecer com qualquer funcionário do Pentágono que seja pego usando dispositivos de rastreamento de localização. Manning, porta-voz do Departamento de Defesa, disse que as punições seriam “determinadas caso a caso” e que os comandantes receberiam “algum tipo de espaço para tomar as decisões no momento”.

Imagem do topo: DARPA