Em uma nova pesquisa, publicada na Cell Stem Cell, cientistas descrevem os resultados do experimento em que minicérebros, cultivados em laboratório, foram capazes de desenvolver estruturas oculares. Em outras palavras, isso quer dizer que os cientistas puderam visualizar como a estrutura dos nossos olhos se formam.

O experimento foi realizado a partir de organoides cerebrais, órgão-seminal tridimensional cultivado em laboratórios, com a ajuda de células-troncos, e que são especializados em medicina regenerativa. Para isso, os cientistas deixaram as células crescerem em bolhas revestidas de tecido cerebral – que fique claro que nada estava ligado à mente, emoções ou consciência.

Jay Gopalakrishnan, da University Hospital Düsseldorf, na Alemanha, disse que esse trabalho destaca a notável capacidade dos organoides do cérebro de gerar estruturas sensoriais novas que são sensíveis à luz e abrigam tipos de células semelhantes às encontradas no corpo.

Foto: Cell Stem Cell , 2021

A equipe reproduziu 314 organoides cerebrais e cerca de 73% deles desenvolveram as estruturas ópticas. Em outras ocasiões, os cientistas usaram embriões para desenvolver a base que compõe grande parte de todo o globo ocular. No caso do novo experimento, a equipe de Gopalakrishnan queria entender se as estruturas poderiam ser cultivadas como uma parte conjunta dos organoides cerebrais.

Os pesquisadores argumentam que isso poderia trazer algum tipo de benefício para ver como os dois tipos de tecido poderiam crescer juntos, em vez de separadamente. “O desenvolvimento do olho é um processo complexo e compreendê-lo pode permitir a sustentação da base molecular das doenças retinianas iniciais”, escreveram os cientistas.

No bebês, os cones ópticos se formam ao longo dos primeiros 30 dias de gestação, e as estruturas já ficam visíveis aos 50 dias. Entender o processo de formação do desenvolvimento do olho, ainda quando recém-nascido, de maneira que os organoides podem ser importantes para identificar complicações nesse processo.

Visão de aproximada de uma bolha bege (o organoide do cérebro) com dois pontos escuros que são os olhos rudimentares
Foto: Elke Gabriel

Há também algumas complicações, as estruturas ópticas possuíam diferentes tipos de células retinais, que se organizam em redes neurais que respondiam à luz e até continham lentes e tecido da córnea – outra estrutura ocular. E a boa notícia é que as estruturas exibiram uma conexão da retina com o cérebro.

Gopalakrishnan disse que a equipe acredita que estes organoides farão parte das novas gerações e irão ajudar a modelar os tratamentos para os distúrbios associados ao cérebro.

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E de fato, entender como a estrutura do olho funciona poderia fornecer base suficiente para alavancar novos tratamentos, tanto para aqueles que já nascem com problemas quanto para aqueles que desenvolvem ao longo da vida. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 285 milhões de pessoas sofram com problemas oculares no mundo, e mais de 60% dos casos poderiam ser evitados – o novo experimento poderia dar uma visão melhor de como será esse futuro.