O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, liberou estados e municípios a usarem os estoques atuais de vacina contra Covid-19 para aplicação de primeira dose. Até então, os imunizantes estavam reservados para a segunda dose de quem já havia recebido a primeira. A mudança nas recomendações vem depois da importação do ingrediente farmacêutico ativo (IFA), que permitiu que o Instituto Butantan e a Fiocruz acelerassem a produção diária e confirmassem entregas semanais de seus imunizantes. As novas instruções também se aplicam às 5 milhões de doses entregues neste fim de semana.

Com o uso dos estoques atuais para primeira dose, espera-se que o ritmo da campanha de vacinação contra Covid-19 fique mais rápido. À CNN Brasil, Pazuello falou em dobrar a quantidade de vacinados nesta semana. No começo da semana, o ministro havia previsto que em maio todos os grupos prioritários já estarão vacinados e que o imunizante começará a ser disponibilizado para a população em geral.

De acordo com dados das secretarias estaduais de saúde de sábado (20), 11,7 milhões de pessoas já receberam ao menos uma dose da vacina contra Covid-19; dessas, 4,1 milhões já receberam a segunda dose. Em termos proporcionais à população, o Brasil ocupa a 73ª posição mundial. O ritmo lento na campanha de vacinação tem levantado críticas de especialistas em um momento em que o País passa por recordes de mortes, e o sistema de saúde está em colapso.

O governo federal, nas últimas semanas, fechou contrato com mais farmacêuticas para aumentar o fornecimento de imunizantes. Além disso, 1 milhão de doses da vacina da AstraZeneca/Oxford compradas através do consórcio Covax, da Organização Mundial da Saúde, foram entregues neste fim de semana.

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A estratégia de usar todo o estoque para dar a primeira dose ao maior número de pessoas possível vem sendo posta em prática no Reino Unido desde janeiro, e teve adesão de parte da Europa. A ideia é imunizar um contingente maior da população, ainda que com uma proteção um pouco menor. Por isso, a segunda dose das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca foi marcada para 12 semanas depois, um intervalo bem maior do que o previsto nos testes clínicos. Por lá, 26,8 milhões receberam uma dose da vacina, e 2,1 milhões receberam a segunda.

[Agência Brasil]