A missão da China de explorar o lado oculto da Lua agora entrou em seu sétimo dia lunar, com o módulo de aterrissagem Change’e 4 e o rover Yutu 2 retomando as atividades, apesar de um problema recente de comunicação com um satélite de retransmissão.

O módulo e o rover acordaram com sucesso no dia 27 de junho, depois de entrar no modo de hibernação em 9 de junho, informa a Academia Chinesa de Ciências. Os equipamentos estão em “condições normais de funcionamento”, de acordo com o Centro de Exploração Lunar e Programa Espacial da Administração Nacional do Espaço da China (CNSA).

A missão entrou agora em seu sétimo dia lunar, com um dia lunar equivalendo a aproximadamente 14,5 dias na Terra (o mesmo para a noite lunar). Os dispositivos são colocados para hibernar durante as noites lunares devido à ausência de energia solar disponível e para proteger seus componentes dedicados contra o frio extremo. Temperaturas na superfície lunar à noite podem cair para -190 graus Celsius.

Trilha do rover Yutu 2, na Lua, junto com uma placa solarCrédito: CNSA

Com o trabalho começando no sétimo dia lunar, a missão continua a exceder as expectativas (os equipamentos não foram planejados para durar até março de 2019). A missão na superfície começou em 3 de janeiro de 2019, quando o aterrissador Chang pousou na cratera Von Karman em uma bacia perto do pólo sul lunar. Até o momento, Yutu 2, ou Jade Rabbit, percorreu 212 metros, de acordo com o CNSA. Esta é a primeira missão robótica ao lado oposto da Lua, que nunca é visível da Terra.

Como reportado por Andrew Jones no Space News, no entanto, o início do sétimo dia lunar da missão não foi tranquilo:

Segundo o “diário de direção do Yutu 2” publicado em 27 de junho, o rover havia sofrido problemas durante o sexto dia lunar, o que causou interferência nas comunicações entre o Yutu 2 e o satélite Queqiao (“Magpie Bridge”), que gira em torno do segundo ponto Lagrange entre a Terra e a Lua para facilitar a comunicação entre as estações terrestres e a espaçonave do outro lado da Lua, que nunca pode ser vista da Terra.

O problema significou uma perda de telemetria e contato com o Yutu-2. A análise indicou um erro causado por um raio cósmico atingindo um microchip rover e o problema foi resolvido com sucesso, de acordo com o artigo, acrescentando que o incidente foi um lembrete de que o ambiente espacial é complexo e variável.

Como Jones corretamente apontou, esta não é a primeira vez que os raios cósmicos — chuvas de partículas de alta energia que se movem rapidamente — causaram uma dor de cabeça durante as missões espaciais. Os raios cósmicos também criaram problemas durante a missão Dawn, que foi em direção dos asteroides Ceres e Vesta.

Imagens recentes capturadas pelo LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter), da NASA, também apontam para o progresso contínuo da missão. Esse satélite passa pela região da missão Chang’e uma vez por mês, tirando fotos do local. Usando essas imagens, Mark Robinson, um pesquisador da Universidade Estadual do Arizona, estimou que o rover Yutu 2 viajou 186 metros no total, o que é cerca de 26 metros abaixo do total chinês relatado. Essa diferença é provavelmente explicada pelo trabalho realizado pelo rover antes de entrar no modo hibernação, seis dias após a foto ter sido tirada.

Localização do Yutu 2 feita pela NASAImagem do centro é da Chang’e e Yutu 2 com suas placas solares abertas. NASA/GSFC/Arizona State University

Durante a sua passagem mais recente, em 3 de junho, o LRO tirou uma foto bonita da superfície lunar e do módulo, com seus quatro painéis solares refletindo bastante.

“O progresso nos últimos dois meses foi mais lento do que nos meses anteriores”, escreveu Robinson no site da LROC. “Talvez o rover tenha encontrado alguma geologia interessante e esteja demorando para coletar um conjunto abrangente de medidas”.

O progresso pode ser mais lento que antes, mas a missão está indo adiante. Esta missão já produziu ciência útil, incluindo a descoberta do material do manto no lado oculto. Enquanto a missão continuar, Chang continuará a executar suas tarefas obrigatórias, incluindo observações de rádio de baixa frequência do céu, levantamentos de terrenos, medições de radiação de nêutrons e análises da composição mineral da superfície.