Quando um pedaço da asa de um Boeing 777 foi encontrada na Ilha da Reunião, no Oceano Índico, o governo da Malásia rapidamente o identificou como parte do voo 370 da Malaysian Airlines que desapareceu no ano passado. Mas a investigação falhou em identificar a peça, fazendo com que essa história fique cada dia mais esquisita.

Pouco depois do flaperon aparecer na praia, engenheiros da Boeing confirmaram que a asa pertencia a uma aeronave 777. E o MH370, que desapareceu em março de 2014, era o único 777 desaparecido até então. Então, caso encerrado, certo?

O Primeiro Ministro da Malásia, Najib Razak, acreditou que a peça fosse parte do voo desaparecido e, em 5 de agosto, por meio de um anúncio, declarou ao mundo que era ela de fato. Mas minutos depois, Serge Mackowiak, investigador francês, contestou a declaração de Razak, dizendo que mais testes seriam necessários para determinar a origem da peça da asa. Os resultados deveriam sair um dia depois da declaração. Mas dias se passaram. E agora semanas.

O que houve? De acordo com a New York Magazine, a placa de identificação que deveria estar grudada ao lado do flaperon não foi encontrada. Essa placa, colocada em todos os flaperons de aeronaves 777, deveria conter o número de série da peça, conectando-a ao voo MH370. O sumiço deste número não apenas frustrou o processo de verificação, como também levou outros aspectos da investigação da asa a (talvez excessivos) exames minuciosos.

Por exemplo, o flaperon estava coberto de crustáceos. Crustáceos em tudo! E algumas pessoas estão ficando malucas com isso, uma vez que estes crustáceos sugeriam que a asa passou diversos meses abaixo da superfície oceânica. Mas como?

Enquanto é fácil imaginar um submarino ou um mergulhador pairando por 10 a 20 metros abaixo da superfície da água, isso não é algo que objetos inanimados são capazes de fazer sozinhos: ou eles são mais leves que a água, e neste caso boiam, ou eles são mais pesados, e neste caso afundam.

Então, como uma peça de avião de quase 2 m permaneceu abaixo da superfície oceânica por tanto tempo? Até então, não há nenhuma resposta de senso comum; a variedade de possíveis explicações no momento vão desde processos naturais ainda não identificados à intervenção intencional de conspiradores.

Com certeza existe uma explicação lógica para tudo isso, e vamos descobri-la uma hora ou outra — talvez até aprenderemos uma coisa ou outra sobre a ecologia destes crustáceos no processo! Mas até lá, os detetives da internet com certeza criaram as mais mirabolantes histórias para o caso do flaperon. O destino do voo MH370 permanece cada vez mais misterioso. [New York Magazine]

Foto: Reunion 1ere via AP