Em fotos da nave Juno da NASA, as rodopiantes nuvens de Júpiter parecem adoravelmente cremosas, mas o planeta não é nada tranquilo. Tempestades jovianas, por mais caóticas e espetaculares, apresentam um duro lembrete sobre quão incrível e aterrador o universo é de fato.

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Por mais que tenha muito o que se observar em Júpiter, a joia da coroa é definitivamente a Grande Mancha Vermelha, a maior tempestade do Sistema Solar. A tempestade se estende por 16 mil quilômetros e sopra ventos de até 650 quilômetros por hora. Apesar de ser monitorada há cerca de 150 anos, nós só conseguíamos supor como ela é de perto. Mas isso está prestes a mudar.

Em 10 de julho, a sonda Juno vai ficar o mais próximo da Grande Mancha Vermelha que já esteve, nos dando a melhor vista de todas do nebuloso abismo. De acordo com a NASA, o sexto voo de aproximação da nave a deixará a cerca de nove mil quilômetros de distância das nuvens da Grande Mancha Vermelha. Obviamente, Juno vai fazer esse voo com a sua famosa JunoCam, para que as imagens brutas possam depois ser transformadas em incríveis obras de arte.

Nem os mais veteranos astrônomos sabem o que vão encontrar sob o topo das nuvens de Júpiter. O principal investigador da Juno, Scott Bolton, disse ao Gizmodo que está empolgado em ver a Grande Mancha Vermelha de perto, mas não faz ideia de como será.

“Quando você se aproxima de Júpiter, é deslumbrante”, contou. “Você vê todas essas diferentes coisas, e parece uma obra de arte. Então eu tenho alguma expectativa de que a Mancha Vermelha vai ser algo parecido, mas não sei como vai ser. Eu não sei se vai parecer meio simples ou se terá essa complexidade incrível até de perto, esses redemoinhos de diferentes cores se mexendo.”

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Imagem: NASA

Juno vai usar sua câmera infravermelha para observar moléculas específicas e suas temperaturas dentro da tempestade, Bolton acrescentou. O radiômetro de microondas da nave vai ajudar Juno a observar por baixo do topo das nuvens da Grande Mancha Vermelha, procurando por pistas do seu passado. Apesar da tempestade ser observada há mais de um século, acredita-se que ela pode ter mais de 350 anos de idade.

“Uma das questões chave é o quão profundas são as raízes dessa tempestade”, Bolton disse. “Alguns cientistas acreditam que podem ser muito profundas, explicando por que ela dura há tanto tempo. Mas nós não sabemos isso, nunca vimos nada além da superfície.”

Independentemente de qual mistério Juno vai revelar, temos certeza de que será belo ao olhar. Júpiter é muito bom em ser bonito (e aterrador).

“Espero que seja tão bela quanto o resto”, Bolton disse. “Eu não tenho nenhum motivo para não acreditar nisso.”