Hoje em dia os seus dedos estão provavelmente percorrendo telas de toque em vez de folhas de árvores mortas. Depois de uma década de obsolência, as listas telefônicas estão finalmente encontrando o seu destino — a morte —, ao menos em alguns estados americanos.

Quando foi a última vez que você procurou algo em uma lista telefônica? Tudo bem, eu também não lembro. Por isso é excelente a notícia de que a White Pages (WPs – a companhia que faz a lista de telefones e endereços dos EUA), um exercício surreal em papel, química e desperdício de energia, será aposentada. Mandada para a grande gaiola de hamster no céu. Rasgada ao meio pelos seres celestiais. 

Este mês, os estados de Nova York, Flórida e Pensilvânia aprovaram o pedido da Verizon de matar as WPs, e Virgínia deve ser a próxima da lista, totalizando 15 estados americanos que já dispensaram ou estão tentando dispensar os diretórios. Entre 2005 e 2008, o uso desses pesos de papel/suportes de monitor caiu de 25 para 11% nos EUA. Imagine como deve estar esse número nesta entrada de 2011. 

E isso é ótimo para o meio ambiente. Todos sabemos dos argumentos contra imprimir dezenas de milhões de toneladas de papel, reciclado ou não, sem contar os elementos químicos da tinta e toda a energia gasta não apenas no processo de impressão, mas também no de transporte e tudo mais. O custo humano, no entanto, é ainda maior. Pense nas colunas dos coitados que as carregam das vans até os apartamentos. Mas dê uma olhada na recente solução que Seattle bolou para o problema cada vez maior das listas telefônicas indesejadas. É inovador, assim como a decisão da Yellow Pages de abrir um serviço que te permite escolher não receber mais as listas — o serviço é online, claro.

Por mais de uma década, a internet tem sido a primeira e última parada para quem quer encontrar um número de telefone rápido. E os aparelhos móveis tornaram isso ainda mais rápido. De fato, as únicas pessoas que parecem reclamar da extinção das listas telefônicas são os stalkers — e para eles eu sugiro: abracem o cyber-stalkismo. Vocês vão gastar bem menos sola de sapato checando fotos no Facebook do que ligando para um número só para ouvir a respiração da pessoa. 

Mas antes que a lista telefônica entre para a história, vamos para uma pequena aula de história a respeito. Este ano, ela completa 132 anos (PB: A primeira lista do Brasil completou 127 anos!). Já faz muito tempo desde a sua origem, um volume de 20 páginas para a New Haven que incluía oito páginas de instruções sobre como falar ao telefone. (Antes de desligar, a pessoa que fez a ligação deveria dizer "Isso é tudo", ao que a outra deveria responder "OK". E palavrões deveriam ser denunciados ao operador.) E se a imitação é a forma mais sincera de elogio, então considere um novo produto, idêntico, mas mirado em um novo mercado.

A Internet Yellow Pages

É um livro de 1.150 páginas (totalmente à prova de nerds — ha!) que, além de listar mais de 10.000 sites úteis, tem todo tipo de informação útil sobre internet, desde como se conectar, um guia de navegadores e informações sobre a própria tecnologia. ("A Internet fica situada a noroeste da oficina do Papai Noel, e a sua energia vem de elfos que alternam em bicicletas.")

Mas o que eu realmente espero é que ela tenha um capítulo sobre protocolos — não os técnicos, mas os de etiqueta na rede. O que você diz para alguém que acabou de mostrar a sua genitália no ChatRoulette? Como responder o email do Príncipe Nigeriano cuja mãe teve o corpo preenchido com ouro e precisa ser repatriada nos EUA, e você, bondoso senhor, pode ajudar informando seus dados bancários de modo que seja satisfatório para ambas as partes? Afinal, se levou 17 anos para que a primeira lista telefônica aparecesse depois da invenção do telefone de Reis, acredito que a internet ainda esteja na sua infância, e por isso se beneficiaria de tal guia. 

Isso é tudo.

PB: Não conseguimos informações sobre o estado das empresas de listas no Brasil. A página da antiga Páginas Amarelas ainda está em construção. A Listel, outra grande, associou-se a um site de buscas. Eu só vejo listas hoje em dia em criados-mudos de hotéis Brasil afora, há dois anos não recebo uma, ainda bem. E vocês?

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