A Motorola parecia pronta para marcar um golaço com o novo Razr, pegando carona na nostalgia do V3 dos anos 2000 e rivalizando nas telas dobráveis com a Samsung com um formato diferente. Quando vi o Razr pessoalmente em novembro do ano passado, fiquei apaixonada.

Mas agora as coisas começaram para valer e ainda não está claro se o novo Razr vai sobreviver a essa animação inicial — ou quantas pessoas realmente irão colocar as mãos nele.

O primeiro sinal de problemas após o anúncio foi quando a Motorola atrasou o envio do aparelho nos Estados Unidos. A data prevista era para o começo de janeiro, mas a marca decidiu deixar para 6 de fevereiro (que, por sinal, foi ontem). Mas isso não necessariamente é um sinal de desastre.

A demanda foi alta por causa das primeiras impressões positivas de muitos influenciadores. A companhia provavelmente não previa isso, especialmente depois dos problemas da Samsung com o Galaxy Fold.

A Motorola convidou a imprensa para um evento de lançamento do Razr em Los Angeles em novembro de 2019, mas quem compareceu em peso foram os influenciadores, muitos deles sem nenhuma relação com tecnologia. Uma pesquisa rápida pela hashtag #FeeltheFlip no Instagram dá o tom do clima do evento. Eu estava lá. Foi meio confuso.

E agora o Razr está oficialmente à venda, exclusivo da operadora americana Verizon. Porém, somente quem fez o pedido na pré-venda começou a receber o aparelho.

A empresa ainda não enviou unidades de análise e testes para nenhum veículo jornalístico, por exemplo. Os influenciadores que elogiaram o Razr nunca mais falaram dele.

Algumas pessoas comuns e YouTubers de tecnologia que fizeram a compra na pré-venda receberam o aparelho essa semana, então vídeos de unboxing, que são bastante superficiais e principalmente positivos, estão começando a surgir.

Alguns veículos, incluindo o Android Central e o CNET, compraram o aparelho. O Android Central descobriu que o modo noturno do Razr era uma droga, o que é bem decepcionante para um aparelho de US$ 1.500 (ou R$ 8.999 no Brasil).

Já a CNET diz que o produto não aguenta 100 mil dobradas como a Motorola chegou a afirmar — embora o modelo deles não tenha quebrado ou exibido algum dano aparente. Só parece que o Razr não gosta de ser dobrado e desdobrado sem parar por um robô.

Algumas pessoas notaram que a dobradiça do Razr range e é um pouco rígida, o que também percebi quando vi o aparelho em novembro. O rangido não era tão horrível, se bem me lembro, embora a rigidez tenha estragado a parte mais agradável de usar o Razr original: desligar o telefone na cara de alguém apenas fechando o celular com um dedo.

Então as primeiras análises do Razr parecem ser um misto de positivo e negativo. Suas câmeras provavelmente não são ótimas, e não dá para ter grandes expectativas em relação a autonomia de bateria. Mas é um aparelho que já está à venda nos EUA e parece que vai pegar muita gente de surpresa, já que a Motorola não fez muito barulho sobre o lançamento.

A Samsung deve anunciar o seu rival do Razr em seu evento Galaxy Unpacked que acontecerá semana que vem. O novo aparelho terá um visual similar, mais compacto do que o Galaxy Fold.

A TCL me disse durante a CES que está aguardando para ver como o Razr se sai nas vendas antes de decidir como será o seu aparelho dobrável.

Tudo isso para dizer: por que a Motorola não está tratando o início das vendas do aparelho com a mesma animação e atenção que deu ao anúncio do Razr? Seria o smartphone um produto terrível que a marca quer esconder, ou eles simplesmente cochilaram e deixaram o bonde passar com um dos celulares mais diferentes dos últimos anos?

Qualquer que seja a resposta, parece que eles vacilaram.