Em quase todos os sentidos, 2018 foi um ano bem bom para a Motorola e sua empresa-mãe Lenovo. A receita total atingiu US$ 51 bilhões (crescimento de 12,5% ano a ano), e a Motorola em si voltou a dar lucros na segunda metade de 2018. Com o Moto Z4, a fabricante espera continuar esse sucesso com um dispositivo que oferece características de celular de ponta — incluindo uma entrada para fones de ouvidos, os Moto Mods e um preço mais camarada.

Não dá para chamar o aparelho de topo de linha. O preço sugerido é US$ 500 (R$ 1.984, na cotação atual) e suas especificações incluem um processador Qualcomm Snapdragon 675 e 4 GB de RAM. Portanto, ele não foi projetado para competir com celulares como o Galaxy S10 e nem mesmo com o S10e. Na verdade, estamos olhando para um aparelho de gama média, feito para competir com modelos como o Pixel 3a que sai por US$ 400 ou o OnePlus 6T lançado no ano passado.

Traseira do Motorola Moto Z4Foto: Sam Rutherford (Gizmodo)

Dito isso, o Z4 ainda tem diversas características premium, incluindo uma tela OLED de 6,4 polegadas com resolução FullHD+, 128 GB de armazenamento base (com slot para microSD), um leitor de impressões digitais debaixo da tela e uma traseira de vidro parecida com a das gerações anteriores desse modelo. Além disso, o Z4 possui suporte aos módulos intercambiáveis de toda a linha.

O suporte para os Moto Mods não é uma grande surpresa, já que a companhia afirma que os donos de Moto Z que entram no sistema de módulos estão mais satisfeitos do que aqueles que possuem só o celular. No entanto, a empresa já cumpriu com sua promessa de três anos de comprometimento com esses acessórios no lançamento do Z3 — e não dá para saber o que virá no futuro.

Além disso, embora o Moto Mod 5G tenha começado a ser vendido nos Estados Unidos neste ano (e adiciona suporte à rede de nova geração dos clientes da operadora Verizon), esse é o primeiro smartphone da linha Z que não chega com novos acessórios em seu lançamento.

Mas vamos deixar os módulos de lado, já que a grande surpresa do Z4 é o retorno da entrada para fones de ouvido. Essa ressurreição marca a primeira vez que uma fabricante traz de volta a característica, um fato que parece ainda mais marcante quando lembramos que a Motorola a abandonou há mais de três anos com o lançamento do Moto Z original.

Detalhe da entrada para fones de ouvido do Moto Z4

De acordo com Doug Michau, diretor executivo de operações de produto da Motorola para América do Norte, o motivo por trás disso foi simples: reclamações de usuários. Isso porque, embora as pesquisas com consumidores apontavam uma grande satisfação com os Moto Z anteriores, a companhia continuava recebendo um feedback negativo sobre a ausência da entrada tradicional para fones — era um dos itens de mais frustração. Então a Motorola ouviu seus clientes e adicionou uma porta de 3,5mm ao aparelho.

Fora isso, o Moto Z4 tem um nanorevestimento para protegê-lo da água em situações menos críticas. É aquela coisa: não dá para jogar ele na piscina, afinal ele não tem certificação oficial de resistência à água. E ao contrário de diversos smartphones de ponta lançados hoje em dia, o modelo não possui suporte a carregamento sem fio (embora exista um módulo para isso).

Outra escolha incomum da Motorola foi deixar o aparelho com uma única câmera na traseira, embora o seu Moto G7 tenha dois sensores. A Motorola diz que fez isso para evitar complicações desnecessárias no design do celular e focar na câmera principal com um sensor de maior resolução. E com uma câmera de 48 megapixels na traseira (junto com um sensor de 25 megapixels para selfie), a Motorola parece ter alcançado seu objetivo.

Tanto a câmera traseira quanto a frontal utilizam uma técnica chamada combinação de pixels que junta quatro pixels do sensor da câmera em um pixel maior. Isso diminui a resolução geral da foto, mas aumenta a sensibilidade à luz, que é algo muito valioso em situações com pouca iluminação.

A Motorola não parou por aí e seguiu os passos de Google, Huawei, Samsung e outros, dando ao Z4 um modo dedicado a cenas com baixa iluminação, chamado Visão Noturna. E mesmo sem câmeras secundárias, o aparelho é capaz de fazer fotos no estilo retrato, com fundos borrados.

Moto Z4 com módulo da PolaroidFoto: Sam Rutherford (Gizmodo)

Estou bem curioso para ver como o Modo Noturno da Motorola se compara com o que vimos em celulares mais caros. No final das contas, a maior parte do apelo do Z4 continua sendo os seus módulos e o valor disso vai variar de usuário para usuário.

O Moto Z4 ainda não tem data para ser lançado no Brasil. O último modelo da linha Z lançado no Brasil foi o Moto Z3 Play, com preço sugerido de R$ 2.299 — uma versão mais potente com 6 GB de RAM chegou custando R$ 2.699.