No último milênio, as florestas tropicais do Cabo de Melville, na Austrália, permaneceram totalmente isoladas da interferência humana. Isso é, até uma equipe de cientistas da Universidade James Cook dar os primeiros passos da humanidade em uma parte de terra intocada. E o que eles encontraram por lá é fantástico.

Chamando a descoberta sem precedentes de “mundo perdido”, os cientistas atingiram apenas uma pequena parte da terra de helicóptero até chegarem a um “muro monstruoso” com “milhões de pedras gigantes e empilhadas do tamanho de casas e carros”. E se isso não é desafio o bastante para você, o monumento impassável dos processos naturais pré-históricos se estende por 15 quilômetros. Como, então, o Doutor Conrad Hoskin, um dos líderes da expedição, fez essa descoberta? Da mesma forma como encontramos qualquer coisa hoje em dia: com o Google.

O Dr. Hoskin sabia do tamanho por mais de uma década, mas os obstáculos intransponíveis limitaram as pesquisas dos cientistas às terras baixas. Com o advento do Google Earth, no entanto, e a descoberta de um pequeno e exuberante pedaço de verde no topo das pedras, ele decidiu dar uma segunda observada. Mas nenhuma imagem de satélite conseguiria prepará-lo para o que ele estava prestes a encontrar.

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Imagem: Tim Laman, National Geographic

O Mundo Perdido

A segunda equipe de cientistas financiados pela National Geographic entrou em um helicóptero e rapidamente percebeu que estava para entrar em uma parte da Terra congelada no tempo, o tipo de coisa que só conseguimos ver em filmes. A “floresta tropical incrível”, “Terra boa” e “fluxos limpos” não eram a parte mais legal. A parte mais fantástica eram as incríveis criaturas que estavam “isoladas dos primos mais próximos por milhões de anos”. Como Dr. Hoskin explicou ao The Telegraph:

Estamos falando de animais que são antigos – eles estavam nas florestas tropicais de Gondwana que estão por aqui desde sempre. Estava caminhando ao longo da linha do cume e lá estava este pequeno lagarto, um Scincidae, que era algo completamente novo.

Lagartos Scincidae modernos geralmente vivem próximo a folhas, mantendo proximidade do chão que é mais seguro para eles. Este ancestral, no entanto, salta entre pedras úmidas enquanto caça insetos.

A segunda descoberta surpreendente foi algo que o Dr. Hoskin já havia observado antes, mas não conseguiu identificar até agora – um “belo sapo com manchas e laranja nas patas”

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Imagem: Tim Laman, National Geographic

Hoskins chamou o novo anfíbio de sapo de pedras com manchas por razões óbvias, e uma das coisas mais interessantes desta criatura em comparação com seus primos mais evoluídos é que ele não precisa de um lago para se reproduzir. Esta espécie de sapo precisa apenas de rachaduras úmidas nas pedras para criar um lar para os ovos. Como não têm corpo protetor de água, os girinos se desenvolvem e viram sapos antes do ovo começar a chocar.

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Imagem: Tim Laman, National Geographic

Mas a melhor parte da breve viagem só aconteceu depois do pôr-do-sol.

E então, voltando durante a noite, nós vimos uma incrível lagartixa com rabo no formato de folha. Essa criatura completamente bizarra nos deixou sem palavras. Era realmente grande, cerca de 20 centímetros com patas longas e olhos enormes.

O fato desta lagartixa estar escondida em uma pequena parte da floresta no topo do Cabo de Melville é realmente incrível. O que torna tudo ainda mais incrível é que outros dois vertebrados completamente novos foram encontrados ao mesmo tempo.

Mesmo Patrick Couper, o curador de répteis e sapos do Museu de Queensland e colaborador na descrição da lagartixa, chamou o que agora é conhecido como Lagartixa Cauda Rabo de Folha do Cabo de Melville de “a nova espécie mais estranha que eu vi em 26 anos trabalhando como herpetologista.”

De acordo com o Dr. Hoskin, as patas longas da lagartixa permitem que ela se movimente com mais rapidez por um cenário cheio de pedras, enquanto seus olhos enormes facilitam a navegação entre as fendas profundas e escuras das pedras.

O que se esconde além disso?

E a parte mais animadora? Estamos apenas começando a descobrir este mundo completamente desconhecido. Como Dr. Hoskin explicou ao The Telegraph, eles documentaram apenas um décimo da área, e muitas outras espécies “incluindo, talvez, mamíferos, plantas e mais invertebrados” podem estar próximos de nós.

E mesmo que essa não seja a primeira vez que descobrimos uma parte da Terra intocada pela passagem do tempo, o Dr. Hoskin acredita que a parte mais incrível pode estar no caminho verde no topo do trono de pedras.

Então qualquer pessoa que ainda mantém as esperanças de um Jurassic Park da vida real pode agradecer ao Google Earth por isso. Talvez seja o mais próximos que vamos conseguir chegar disso. [National GeographicThe TelegraphRT]

Imagens: Tim Laman, National Geographic