O físico Axel Mellinger percorreu mais de 42.000 quilômetros e juntou mais de 3000 imagens individuais para criar isto, um dos mais belos panoramas da nossa galáxia jamais montados.

Juntando 3000 fotografias individuais, um físico fez uma nova imagem em alta resolução do céu estrelado, tendo como sua peça central a Via Láctea. Axel Mellinger, um professor na Universidade Central de Michigan, descreve o processo de montar a imagem na próxima edição da Publications of the Astronomical Society of the Pacific. Uma versão interativa da imagem pode ser vista no site de Mellinger.

"Este panorama mostra estrelas com luz 1000 vezes mais fraca do que o olho humano é capaz de perceber, assim como centenas de galáxias, conjuntos de estrelas e nebulosas", diz Mellinger. Sua alta resolução faz do panorama um instrumento útil tanto para propósitos educacionais quanto científicos.

Mellinger gastou 22 meses e viajou por mais de 42 mil quilômetros para tirar fotografias digitais em locais escuros na África do Sul, Texas e Michigan. Depois das fotografias tiradas, o "verdadeiro trabalho" começou.

Simplesmente recortar e colar as imagens juntas não seria suficiente. Cada fotografia é uma projeção bidimensional e plana da esfera celestial. Sendo assim, cada uma conte´m distorções, da mesma forma que mapas planos da Terra contém distorções. Para que as imagens se encaixassem, essas distorções precisaram ser levadas em conta. Para fazer isso, Mellinger usou um modelo matemático — e centenas de horas na frente do computador.

Outro problema com o qual Mellinger teve que lidar foi a diferença de iluminação entre as imagens.

"Graças a poluição artificial de luz, brilho aéreo natural, assim como luz solar espalhada por pó na nossa atmosfera, é virtualmente impossível tirar uma fotografia astronômica ampla com um plano de fundo perfeitamente uniforme", diz o físico.

Para consertar isso, Mellinger usou dados das sondas espaciais Pioneer 10 e 11. Os dados possibilitaram diferenciar a luz estelar da luz terrestre indesejada. Ele então pode editar as variações de iluminação em cada fotografia. Dessa forma elas se encaixariam sem parecer retalhos.

O resultado é uma imagem da nossa galáxia que nenhum observador espacial poderia vislumbrar a partir de um único ponto da Terra. Mellinger planeja disponibilizar a gigantesca imagem de 648 megapixels para planetários em todo o mundo.

[University of Chicago via Axel Mellinger via Examiner via io9]