O cara da entrega acabou de levar a XBR8 aqui de casa, uma HDTV da Sony com iluminação traseira por LED de três cores. Fiquei triste, porque nunca tinha visto uma LCD brilhar assim antes.

Eu a deixei instalada na sala de estar por pouco tempo. Um pouco de HBO, alguns filmes, nem joguei muito. Mas já seria tempo suficiente para analisar e criticar uma televisão. Só que, enquanto eu assistia à TV, não tinha do que reclamar. A imagem de conteúdo SD é bem colorida, nítida e sem muito refinamento, lembrando como a imagem era boa nas televisões CRT antigas, antes que TVs de tela plana passassem a dominar. E o conteúdo em alta definição de um disco Blu-ray parecia picadas de agulhas hipodérmicas, 1920 x 1080 delas, cheias de uma solução de alegria em vídeo suspensa em fótons e alguns remédios que pararam meu coração e não me deixam mais piscar. Foi, com certeza, a melhor LCD que eu já vi, e como a CNet disse quando fez o review da XBR8, uma das melhores TVs de todas, apesar de não ser tão boa na imagem quanto a linha Kuro, agora extinta, de TVs de plasma da Pioneer.

Os engenheiros da Sony fizeram grandes esforços para criá-la, quase como se o fantasma do fundador da Sony viesse e restituísse o orgulho deles em trabalhar na empresa, dizendo que não poupassem esforços para criar a TV. "Usem LEDs! Usem três ou quatro como aqueles filhos-da-mãe na Coreia!" O resultado foi um conjunto único de LEDs vermelho, verde e azul — as verdes não são brilhantes —, que se repete em uma sequência para compor a iluminação traseira. Cada uma das cores diferentes dos LEDs é calibrada em tempo real, se ajustando à cor e contraste da imagem. E isso depois de serem combinadas por características semelhantes. Com iluminação diferenciada em cada parte da imagem, a XBR8 é algo com a qual só um fanático por LCDs sonharia. E o resultado foi fantástico, mas sem implicar nada sobre sua confiabilidade, ele me parece um protótipo, por vários motivos.

O maior número de LEDs coloridos discretos deixa a TV mais pesada, grossa e que consuma mais energia que a maioria das TVs de LCD com LEDs, ficando no aspecto físico entre outra TV de LCD com LED e uma TV de plasma. Mais de um ano após seu lançamento revolucionário, a XBR8 está num contexto que torna impossível justificar sua extravagância — outra característica clássica de tecnologia à la protótipo. E tem a concorrência. Mais ou menos!

A XBR8 é maravilhosa. Dito isto, esta TV é uma criatura estranha, nascida bem antes da crise econômica — que acabou com as chances de que TVs high-end, como a TV a laser da Mitsubishi ou as Kuros da Pioneer, pudessem vender bem. Mas ela ainda existe, e ao mesmo tempo que suas sucessoras pobres e mais baratas, como a XBR9, sem iluminação por LED.

Mas os preços acabam se igualando. Agora, a XBR8 ainda tem um preço sugerido absurdo, de quase 4.000 dólares por 46 polegadas. Mas, como ela já é velhinha, está à venda na Amazon por US$2.600, o que é melhor, mas ainda acima do preço sugerido de outras TVs que têm a imagem quase tão boa quanto — quase. A XBR9 tem preço sugerido de US$2.600 mas sai por menos de dois mil no mercado. Por quase o mesmo preço da XBR9, compra-se a LG LH90 de 47 polegadas, com ilumação por LEDs brancos e com iluminação diferenciada em cada parte da imagem. A CNet diz que ela é tão boa na imagem quanto a XBR9.

Por algum motivo, a única TV LCD que usa LEDs verde, azul e vermelho separados ainda me atrai. Talvez quando os varejistas esquecerem que a XBR8 é especial, e as últimas unidades estiverem em liquidação como modelos do ano passado, eu vou comprar. Muito provavelmente, chegarão TVs por menos de 2.000 dólares com tecnologias mais simples e mais fáceis de produzir em massa, e eu vou me perguntar porque gostava tanto dela. Enquanto isso, vou seguir amando a XBR8. E, sem nenhum benchmark, você terá que confiar em mim quando digo que esta TV é muito especial, apesar de ser uma TV cara demais para se comprar.