A NASA espera lançar o tão aguardado Telescópio Espacial James Webb a partir da Guiana Francesa em 31 de outubro de 2021, conforme um comunicado da agência publicado nesta quinta-feira (16). Os desafios técnicos e a pandemia de COVID-19 foram citados como motivos para o mais recente atraso do projeto.

Um lançamento em uma data que coincide com Halloween parece ser apropriado para o projeto que está um pouco enrolado. O telescópio tem sido prejudicado por um fluxo constante de excessos de custos e atrasos de programação desde seu início – ele deveria ter ido para o espaço em 2007.

A nova data – 31 de outubro de 2021 – representa um atraso de sete meses em relação à meta de lançamento mais recente, que era para março de 2021 em um foguete Ariane 5. Antes disso, ele deveria ir para o espaço em maio de 2020. Infelizmente, é difícil ficar entusiasmado com a nova data de lançamento. Tornou-se uma espécie de “vamos acreditar quando virmos.”

O James Webb é o sucessor do Telescópio Espacial Hubble, que agora tem 30 anos de idade. O projeto está atualmente na fase de integração e teste de desenvolvimento, a fase final antes de ser transportado para a Guiana Francesa.

Quando estiver no espaço, a cerca de milhões de quilômetros da Terra, Webb usará seu telescópio infravermelho para observar algumas das galáxias mais antigas do universo, estudar nebulosas formadoras de estrelas e até mesmo sondar as atmosferas de exoplanetas distantes. Não há dúvida de que o observatório vai ser surpreendente – só precisa ser feito.

Em uma coletiva de imprensa da NASA realizada nesta quinta, Gregory Robinson, diretor do programa JWST, disse que a decisão de mudar o lançamento de março de 2021 para outubro de 2021 tinha a ver com os desafios de desenvolvimento persistentes e as dificuldades impostas pela pandemia de COVID-19. A NASA, disse ele, estava planejando reavaliar as margens de programação do projeto antes da chegada do novo coronavírus, mas a pandemia forçou o problema, resultando em mais um atraso.

Stephen Jurczyk, administrador associado da NASA, disse que o principal desafio relacionado com o COVID-19 era o “impacto da falta de pessoas no trabalho e o número reduzido de pessoas disponíveis para os turnos.” O distanciamento social e outras provisões de segurança no local foram outros fatores que influenciaram negativamente o ritmo de desenvolvimento e teste do telescópio, disse ele.

Apesar dessas dificuldades, as equipes da Northrop Grumman, principal terceirizada da agência espacial para o projeto, continuam trabalhando “incansavelmente” e em um “ambiente intenso”, disse Jurczyk. “A segurança da equipe é nossa maior prioridade”, acrescentou ele.

Quando solicitado a esclarecer sobre o atraso de sete meses, Robinson disse que três meses estavam relacionados com o COVID-19 e dois meses tinham a ver com questões técnicas existentes, tais como testes de vibração pendentes, uma revisão do novo escudo solar do telescópio, medidas de redução de risco, entre outras tarefas. Os dois meses restantes foram acrescentados como um reforço, disse Robinson.

De acordo com o comunicado de imprensa da NASA, não haverá mais custos excessivos como resultado deste atraso em particular, pois “a Webb usará o financiamento do programa existente para se manter dentro de seu limite de custo de desenvolvimento de US$ 8,8 bilhões”.

Em uma nota positiva, a equipe de desenvolvimento da JWST concluiu recentemente um teste abrangente de sistemas, no qual software e componentes elétricos críticos foram testados em todo o observatório. Durante os próximos meses, a equipe realizará importantes testes de vibração e acústicos para simular a agitação que ocorrerá durante o lançamento.

A NASA e Northrop Grumman parecem estar fazendo progressos, mas ainda não passaram da linha de chegada.