Parece o canhão de laser da Estrela da Morte, mas esta proposta de telescópio lunar — construído dentro de uma cratera natural no lado oposto da Lua — poderia ser usado para espiar os primeiros dias do cosmos.

No início deste mês, a NASA concedeu financiamento adicional a uma série de projetos em seu programa Innovative Advanced Concepts (NIAC), no qual os colaboradores são incentivados a apresentar ideias “fora da caixa” para “mudar o que é possível no espaço”.

Algumas das propostas mais interessantes incluíam uma solução para explorar o oceano subterrâneo da lua Europa, de Júpiter, plataformas de pouso instantâneas para a próxima missão Artemis à Lua e um projeto fascinante para usar antimatéria como uma maneira de desacelerar naves interestelares a caminho do exoplaneta Proxima Centauri b. Como eu disse, as ideias são bem ousadas.

Uma das propostas mais intrigantes é do roboticista do JPL (Laboratório de Propulsão à Jato da NASA) Saptarshi Bandyopadhyay, que quer construir um telescópio dentro de uma cratera natural do lado escuro da Lua. Ele o chama de Telescópio de Rádio da Cratera Lunar (LCRT).

A NASA concedeu ao projeto o status de fase 1 e deu à equipe US$ 120 mil para levar a ideia adiante. Se Bandyopadhyay e seus colegas produzissem uma proposta convincente, a ideia avançaria para a segunda das três fases. Ou seja, esse financiamento está longe de ser um negócio fechado para tornar realidade o projeto.

Diagrama do telescópio lunar LCRT
Diagrama mostrando a posição do LCRT em relação à Terra (sem escala). Crédito: Saptarshi Bandyopadhyay

“O objetivo da fase 1 do NIAC é estudar a viabilidade do conceito LCRT”, disse Bandyopadhyay ao Gizmodo. “Durante a fase 1, nos concentraremos principalmente no projeto mecânico do LCRT, buscando crateras adequadas na Lua e comparando o desempenho do LCRT com outras ideias que foram propostas na literatura.”

Em termos de quando essa estrutura poderia ser construída, ele disse que sua equipe teria uma ideia melhor assim que a fase 1 fosse concluída. Mas mesmo assim, uau, seria incrível se isso fosse realmente construído.

“Não é possível observar o universo em comprimentos de onda superiores a 10 metros, ou frequências abaixo de 30 MHz, a partir de estações terrestres, porque esses sinais são refletidos pela ionosfera da Terra”, disse Bandyopadhyay. “Além disso, os satélites que orbitam a Terra captariam um ruído significativo da ionosfera da Terra”, e é por isso que “essas observações são muito difíceis”.

Esquema de construção do telescópio lunar
Como o LCRT seria construído. Crédito: Saptarshi Bandyopadhyay

É por este motivo que comprimentos de onda maiores que 10 metros ainda precisam ser explorados pelos cientistas. Consequentemente, esse telescópio ofereceria um tremendo benefício para astrônomos e cosmólogos, que o usariam para estudar o universo primitivo como ele existia a 13,8 bilhões de anos atrás, incluindo a formação das primeiras estrelas.

Ao colocar o LCRT no lado oculto da Lua, o observatório seria protegido contra interferências de rádio e outros aborrecimentos vindos da Terra, naturais ou artificiais. “A Lua age como um escudo físico que isola o telescópio da superfície lunar de interferências/ruídos de rádio de fontes terrestres, ionosfera, satélites em órbita da Terra e o ruído do rádio do Sol durante a noite lunar”, explicou Bandyopadhyay.

Como descrito no resumo da proposta, o telescópio seria construído em uma cratera de 3 a 5 km de diâmetro. Vários robôs DuAxel amarrariam, suspenderiam e ancorariam uma malha de 1 km de diâmetro dentro da cratera, tornando-a o “maior radiotelescópio de abertura cheia do Sistema Solar”.

Os robôs DuAxel “são incríveis e já foram testados em campo em cenários desafiadores”, disse Bandyopadhyay ao Gizmodo. O roboticista do JPL Issa Nesnas liderou o design desses robôs na última década e ele, junto com o roboticista do JPL Patrick McGarey, também está trabalhando no projeto LCRT.

Quando perguntado sobre quanta tecnologia ainda precisa ser desenvolvida para que essa proposta seja possível, Bandyopadhyay disse “bastante”, pois a maior parte da tecnologia necessária para o LCRT está atualmente em um nível de prontidão tecnológica baixo, nos termos da NASA.

“Não quero entrar em detalhes, mas temos um longo caminho pela frente”, disse ele. “Portanto, somos muito gratos por esse financiamento da fase 1 do NIAC!”