Se você já trabalhou com TI, sabe que a maior parte dos problemas tem soluções estupidamente simples. Um, verifique se o aparelho está ligado na tomada. Dois, desligue e ligue novamente o dispositivo. Três, faça outras coisas. Parece que esse tipo de pensamento serve também para o telescópio Espacial Hubble, que entrou em modo de segurança há duas semanas depois de uma falha do giroscópio.

• Relatório: NASA precisa avançar em seu plano para trazer amostras da poeira de Marte

Diz o comunicado à imprensa da NASA:

Na tentativa de corrigir as velocidades erroneamente altas produzidas pelo giroscópio reserva, a equipe de operações do Hubble executou uma reinicialização do giroscópio em 16 de outubro. Esse procedimento desligou a peça por um segundo e depois a reiniciou antes que a roda girasse. A intenção era eliminar quaisquer falhas que possam ter ocorrido durante a inicialização em 6 de outubro, após o giroscópio estar desativado por mais de 7 anos e meio.

Em 18 de outubro, a equipe de operações do Hubble comandou uma série de manobras, ou curvas, de espaçonave em direções opostas para tentar limpar qualquer bloqueio que pudesse ter causado o desalinhamento do flutuador e produzido velocidades extremamente altas. Durante cada manobra, o giroscópio foi mudado do modo alto para o modo baixo de forma a desalojar qualquer bloqueio que possa ter se acumulado ao redor do flutuador.

Grande parte da minha experiência profissional fora do jornalismo envolveu resolver problemas de software e instalar impressoras. Apesar de a explicação da NASA parecer técnica, esta série de manobras parece como o que eu falaria para alguém que estivesse tentando fazer uma impressora funcionar. Primeiro, reinicia. Depois, tente de novo e tire qualquer coisa que venha a atolar. E, voilà, tudo pronto e funcionando.

O Hubble, uma ferramenta crucial usada por astrônomos em todo o mundo, entrou no modo de segurança no início deste mês. O telescópio conta com três giroscópios sensíveis a movimento para se manter estável. Um dos mais velhos falhou depois de superar em seis meses sua duração prevista. Mas, quando a equipe tentou ligar um reserva, ele não funcionou direito.

Apesar de o telescópio ter planos reservas para funcionar com menos giroscópios, eles podem limitar para onde ele consegue apontar e quanto tempo demora para mudar de alvos.

“O Hubble passar a usar apenas um giroscópio iria dificultar nossos esforços para caracterizar as atmosferas de planetas extra-solares nos próximos anos, até o lançamento do Telescópio James Webb”, diz a cientista Jessie Christiansen, do Instituto de Ciências Exoplanetárias da NASA, ao Gizmodo. “Então, é um alívio e tanto!”

Os giroscópios do telescópio são rodas motorizadas dentro de um cilindro cheio de fluídos, que sente as mudanças no movimento do Hubble. A roda estava rodando rápido de mais, talvez porque o cilindro estava desalinhado. A equipe desligou e ligou o giroscópio, mexeu o Hubble para lá e para cá, e ficou alternando entre os dois modos da peça. Agora, ela parece estar funcionando corretamente.

Eu tenho certeza que os cientistas que trabalham com o Hubble vão me dar uma bronca e me dizer que a manobra é um pouco mais complicada do que o que eu estou falando, mas é engraçado pensar que você consegue consertar um telescópio de mais de um bilhão de dólares da mesma maneira que literalmente qualquer outro produto tecnológico. Outros também disseram a mesma coisa.

Mais testes precisam ser feitos antes de o telescópio voltar a ficar online, mas, ainda bem, a expectativa é de que ele retorne a funcionar normalmente.

Há muito para falar sobre o envelhecimento da infraestrutura espacial dos EUA. Pelo menos, ainda temos o Hubble. Por enquanto.

[NASA]