Daqui a cerca de um ano e meio, a espaçonave New Horizons vai passar por um distante objeto do Cinturão de Kuiper chamado de 2014 MU69. Essa relíquia rochosa do Sistema Solar antigo, que está localizada a cerca de seis bilhões de quilômetros distância, acabou de passar em frente a uma estrela distante, resultando em um dos eclipses mais extraordinários já capturados por cientistas.

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Gravar esse eclipse, ou ocultação, como é mais conhecido formalmente, não foi um acidente. Os cientistas da New Horizons que lideraram essa missão sabiam que o MU69, um objeto no Cinturão de Kuiper com cerca de 32,18 quilômetros a 48,28 quilômetros de diâmetro, passaria na frente de uma estrela sem nome durante as primeiras horas do dia 17 de julho. Mark Buie, astrônomo do Southwest Research Institute (SwRI) em Boulder, no Colorado, liderou uma equipe de 60 observadores que ajudaram a implantar duas dúzias de telescópios móveis em uma região remota de Chubut e Santa Cruz, na Argentina. Os cientistas esperavam detectar a sombra do MU69 enquanto ele se movia em frente à estrela — um evento que duraria apenas 200 milissegundos.

Incrivelmente, os astrônomos conseguiram capturar não uma, mas cinco ocultações do MU69.

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Imagem: NASA/JHUAPL/SwRI

“Foi a mais histórica ocultação da face da Terra”, apontou o cientista planetário da NASA Jim Green, em um comunicado. “Vocês tiveram sucesso e fizeram isso acontecer.”

O eclipse não durou muito tempo, e a resolução foi excepcionalmente baixa, mas os pesquisadores agora vão passar pelos dados em um esforço para aprender mais sobre o tamanho, o formato, a órbita e o ambiente em torno do MU69. Em 1º de janeiro de 2019, ele vai se tornar o objeto mais distante já visitado por uma espaçonave quando a New Horizons passar por ele brevemente. Esse antigo objeto é pouco compreendido devido ao seu tamanho relativamente pequeno, sua matiz escura e sua distância extrema. No fim do ano passado, observações feitas pelo Telescópio Espacial Hubble sugeriram que o MU69 é vermelho, e possivelmente ainda mais vermelho do que Plutão — o planeta anão visitado pela New Horizons em 15 de julho de 2015.

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Vai contando, foram cinco ocultações, assinala Marc Buie, líder da missão (Imagem: NASA/JHUAPL/SwRI/Adriana Ocampo)

Astrônomos medem e detectam exoplanetas distantes passando em frente a suas estrelas anfitriãs o tempo todo (o chamado método de trânsito), mas pegar essa ocultação no ato — um evento envolvendo um objeto muito pequeno do Sistema Solar em uma distância extrema — é nada menos que notável.

E, de fato, Buie disse que as ocultações feitas mais cedo nesta semana não teriam sido possíveis sem a ajuda de cientistas, governantes e moradores argentinos — muitos dos quais foram além de seu dever. Na noite da ocultação, uma grande rodovia nacional foi fechada por duas horas para manter os faróis dos carros afastados, e as luzes da rua foram desligadas para reduzir a iluminação. E pelo fato de os ventos ferozes terem sido um problema, alguns voluntários até estacionaram seus caminhões perto dos observatórios para servir como quebra-ventos.

“A comunidade de Comodoro Rivadavia se juntou e fez coisas incríveis para nós.” Buie disse: “Eu tenho chamado as pessoas que nos ajudaram, o nosso 12º jogador. Os moradores locais eram um grande jogador da equipe”.

Vai levar algumas semanas para cientistas analisarem os novos dados, então com sorte teremos mais a dizer sobre o formato e o tamanho do MU69 em pouco tempo.

[NASA]

Imagem do topo: NASA/JHUAPL/SwRI