A Agência Espacial Americana (NASA) lançou na noite da última terça-feira (23) uma missão espacial de colisão contra um asteroide. A missão é um teste para caso a humanidade precise um dia impedir que uma rocha espacial gigante atinja a Terra.

Pode parecer ficção científica, mas a “Missão de Teste de Redirecionamento de Asteroide Binário” é uma experiência real. Tão real que custou US$ 330 milhões.

Com transmissão ao vivo, a aeronave decolou a bordo de um foguete da SpaceX, da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia.

O alvo é Dimorphos, uma lua com cerca de 160 metros — equivalente a duas Estátuas da Liberdade — de largura, cercando um asteroide muito maior chamado Didymos, de 780 metros de diâmetro. Juntos, eles formam um sistema que orbita o Sol.

“Asteróide Dimorphos, estamos indo até você!”, disse a NASA no Twitter, após o lançamento.

Mas o “encontro” entre a sonda da NASA e o asteroide ainda demorará um pouco para acontecer. O impacto deve ocorrer apenas em setembro de 2022, quando o par de rochas se encontrar a 11 milhões de quilômetros da Terra, o ponto mais próximo que pode chegar.

“O que estamos tentando aprender é como desviar uma ameaça”, disse Thomas Zuburchen, cientista-chefe da NASA, em uma entrevista coletiva sobre o projeto.

Os asteroides não representam uma ameaça ao nosso planeta, mas pertencem a uma classe de corpos conhecida como Near Earth Objects (Objetos próximos à Terra). O Escritório de Coordenação de Defesa Planetária da NASA está mais interessado em corpos maiores que 140 metros, visto que eles têm potencial de devastar cidades ou regiões inteiras com quantidades de energia várias vezes maior que as de bombas nucleares.

Impacto a 24 mil quilômetros por hora

A tal sonda é uma caixa. tipo um refrigerador gigante, com painéis solares do tamanho de um ônibus de cada lado. Na hora da colisão, a sonda se chocará com Dimorphos a pouco mais de 24 mil quilômetros por hora, o que causará uma pequena mudança no movimento do asteroide — suficiente para “mandar” ela literalmente para outro planeta.

O impacto lançará toneladas e toneladas de material. Mas, “não vai destruir o asteroide, só lhe dará uma pequena sacudida”, explicou Nancy Chabot, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, que lidera a missão em colaboração com a NASA.

Existem 10 mil asteroides próximos à Terra conhecidos com um tamanho de 140 metros ou mais. Apesar disso, os cientistas da NASA afirmam que, nos próximos 100 anos, nenhum asteroide capaz de causar estragos chegará perto do nosso planeta. Ufa!