A saga da humanidade para explorar a Lua continua. A NASA entrou com um “pedido de orçamentos” para qualquer empresa disposta a raspar a superfície lunar para a primeira venda de recursos espaciais fora da Terra.

O projeto não é complicado: a NASA está oferecendo de US$ 15 mil a US$ 25 mil por amostras de rochas, regolito lunar (uma palavra chique para poeira, detritos e outras crostas lunares) ou gelo, desde que os contratados sejam capazes de embalá-los em alguns tipo de recipiente e fornecer prova fotográfica e textual de onde foi retirado. O(s) empreiteiro(s) terão que providenciar seu próprio transporte para a Lua, e a NASA não está pedindo nem mesmo que as amostras sejam analisadas ou devolvidas à Terra.

“O(s) material(is) pode(m) ser coletado(s) em qualquer local da superfície lunar, conforme determinado pelo Contratante”, escreveu a NASA no documento. “A compra é feita na condição ‘conforme coletado’. Os materiais coletados podem ser qualquer combinação de tipos de regolito, rochas e/ou espécies também presentes, como gelo.”

A NASA quer que as amostras estejam na faixa de 50 a 500 gramas (mais ou menos o tamanho de um pote de margarina), embora tenha notado que o pagamento não dependerá “da quantidade de material lunar coletado”. A agência espacial quer que a missão lunar de micromineração seja concluída até o final de 2024, data prevista para uma missão tripulada à Lua.

O preço irrisório de US$ 15 mil a US$ 25 mil por amostra significa que qualquer contrato será quase certamente realizado como uma linha secundária em algum outro tipo de missão à superfície lunar. Também é principalmente simbólico.

De acordo com o Ars Technica, o administrador da NASA Jim Bridenstine disse à Cúpula para Sustentabilidade Espacial da Secure World Foundation na quinta-feira (10) que o projeto tem como objetivo definir expectativas de como a exploração de recursos no espaço operará sob o Tratado do Espaço Sideral, que proíbe as nações de fazerem reivindicações territoriais soberanas no espaço.

A posição dos EUA é que os humanos podem pegar o que quiserem do espaço e declarar que é deles. Donald Trump emitiu uma ordem executiva no início deste ano denegrindo a ideia de que o espaço é um “bem comum global” e, mais tarde, propôs um conjunto de acordos que criariam uma estrutura internacional para explorar a Lua e extrair seus recursos.

Isso gerou acusações da agência espacial russa, a Roscosmos, de colonialismo e tentativa de privatizar o espaço. Na quinta-feira, Bridenstine fez uma comparação: “você não é o dono do oceano, mas é o dono do atum”. (Os oceanos da Terra foram devastados por este tipo de ideia, embora, para ser justo, a Lua não tenha ecossistemas conhecidos para danificar.)

A NASA também tem uma aposta na Lua devido ao seu programa Artemis, que pretende ter “a primeira mulher e o próximo homem” no satélite natural em 2024 para começar a lançar as bases para uma presença sustentada de humanos lá e, eventualmente, despachá-los para Marte. A extração de recursos lunares, como regolito para construção ou água para beber e para servir combustível de foguete, livraria a NASA de ter de enviar tudo por conta própria.

“A ciência e tecnologia lunar de próxima geração é o principal objetivo para retornar à Lua e se preparar para Marte”, escreveu Bridenstine no blog da NASA. “Durante a próxima década, o programa Artemis lançará as bases para uma presença sustentada de longo prazo na superfície lunar e usará a Lua para validar sistemas e operações espaciais profundas antes de embarcar em uma viagem muito mais distante para Marte. A capacidade de conduzir utilização de recursos in-situ (ISRU) será extremamente importante em Marte, por isso devemos prosseguir com rapidez para desenvolver técnicas e ganhar experiência com ISRU na superfície da Lua.”

Em outras palavras, vamos extrair o que der dessa coisa.