NASA abre pedido de orçamento para extração de material da Lua

NASA abriu um pedido de orçamentos para empresas que queiram coletar material do solo lunar. Agência vai pagar até US$ 25 mil.

A Lua sobre Washington, EUA. Crédito: NASA/Bill Ingalls (Getty Images)

A saga da humanidade para explorar a Lua continua. A NASA entrou com um “pedido de orçamentos” para qualquer empresa disposta a raspar a superfície lunar para a primeira venda de recursos espaciais fora da Terra.

O projeto não é complicado: a NASA está oferecendo de US$ 15 mil a US$ 25 mil por amostras de rochas, regolito lunar (uma palavra chique para poeira, detritos e outras crostas lunares) ou gelo, desde que os contratados sejam capazes de embalá-los em alguns tipo de recipiente e fornecer prova fotográfica e textual de onde foi retirado. O(s) empreiteiro(s) terão que providenciar seu próprio transporte para a Lua, e a NASA não está pedindo nem mesmo que as amostras sejam analisadas ou devolvidas à Terra.

“O(s) material(is) pode(m) ser coletado(s) em qualquer local da superfície lunar, conforme determinado pelo Contratante”, escreveu a NASA no documento. “A compra é feita na condição ‘conforme coletado’. Os materiais coletados podem ser qualquer combinação de tipos de regolito, rochas e/ou espécies também presentes, como gelo.”

A NASA quer que as amostras estejam na faixa de 50 a 500 gramas (mais ou menos o tamanho de um pote de margarina), embora tenha notado que o pagamento não dependerá “da quantidade de material lunar coletado”. A agência espacial quer que a missão lunar de micromineração seja concluída até o final de 2024, data prevista para uma missão tripulada à Lua.

O preço irrisório de US$ 15 mil a US$ 25 mil por amostra significa que qualquer contrato será quase certamente realizado como uma linha secundária em algum outro tipo de missão à superfície lunar. Também é principalmente simbólico.

De acordo com o Ars Technica, o administrador da NASA Jim Bridenstine disse à Cúpula para Sustentabilidade Espacial da Secure World Foundation na quinta-feira (10) que o projeto tem como objetivo definir expectativas de como a exploração de recursos no espaço operará sob o Tratado do Espaço Sideral, que proíbe as nações de fazerem reivindicações territoriais soberanas no espaço.

A posição dos EUA é que os humanos podem pegar o que quiserem do espaço e declarar que é deles. Donald Trump emitiu uma ordem executiva no início deste ano denegrindo a ideia de que o espaço é um “bem comum global” e, mais tarde, propôs um conjunto de acordos que criariam uma estrutura internacional para explorar a Lua e extrair seus recursos.

Isso gerou acusações da agência espacial russa, a Roscosmos, de colonialismo e tentativa de privatizar o espaço. Na quinta-feira, Bridenstine fez uma comparação: “você não é o dono do oceano, mas é o dono do atum”. (Os oceanos da Terra foram devastados por este tipo de ideia, embora, para ser justo, a Lua não tenha ecossistemas conhecidos para danificar.)

A NASA também tem uma aposta na Lua devido ao seu programa Artemis, que pretende ter “a primeira mulher e o próximo homem” no satélite natural em 2024 para começar a lançar as bases para uma presença sustentada de humanos lá e, eventualmente, despachá-los para Marte. A extração de recursos lunares, como regolito para construção ou água para beber e para servir combustível de foguete, livraria a NASA de ter de enviar tudo por conta própria.

“A ciência e tecnologia lunar de próxima geração é o principal objetivo para retornar à Lua e se preparar para Marte”, escreveu Bridenstine no blog da NASA. “Durante a próxima década, o programa Artemis lançará as bases para uma presença sustentada de longo prazo na superfície lunar e usará a Lua para validar sistemas e operações espaciais profundas antes de embarcar em uma viagem muito mais distante para Marte. A capacidade de conduzir utilização de recursos in-situ (ISRU) será extremamente importante em Marte, por isso devemos prosseguir com rapidez para desenvolver técnicas e ganhar experiência com ISRU na superfície da Lua.”

Em outras palavras, vamos extrair o que der dessa coisa.

Sair da versão mobile