A NASA deve achar que a nossa Lua está ficando solitária, porque está ponderando a ideia de capturar um asteroide e colocá-lo em órbita lunar. Assim, a Lua terá um pequeno satélite rochoso para chamar de seu.

De acordo com a New Scientist, pesquisadores do Instituto Keck para Estudos Espaciais “confirmam que a NASA pondera sobre” um plano para oferecer um amigo à Lua.

O plano envolveria o lançamento de uma nave espacial robótica para capturar um pequeno asteroide com apenas 7 m de largura, que depois seria colocado em órbita lunar alta. A missão iria custar cerca de US$ 2,6 bilhões – um pouco mais que a missão do Curiosity a Marte – e poderia terminar na década de 2020.

Isso levanta várias perguntas. O asteroide poderia alterar os movimentos da Lua, que impactam as marés na Terra? Provavelmente não, já que ele é muito pequeno: a largura média do asteroide seria 500.000 vezes menor que o diâmetro médio da Lua. (Como referência, a Lua possui diâmetro médio 3,7x menor que o da Terra.)

Mas e se o asteroide for atraído para a atmosfera terrestre e cair na Terra? Bem, na verdade objetos com diâmetro de 5 a 10 m já atingem a atmosfera uma vez por ano. Em geral, eles explodem na camada superior da atmosfera, e os detritos resultantes são vaporizados bem antes de chegarem na superfície.

E por que a NASA está tão interessada em dar uma lua para nossa lua? Bem, a administração Obama disse que quer enviar astronautas a um asteroide próximo da Terra. Atualmente, o melhor destino para uma viagem dessas – um pequeno corpo celeste chamado 1999 AO10 – exigiria uma viagem de seis meses, perigosa para os astronautas em questão. Trazer um asteroide para a órbita da Lua é uma opção mais segura, apesar de ser mais complexa.

A proposta atual de capturar um asteroide usaria uma espaçonave especialmente concebida. A New Scientist explica:

A equipe de Keck imagina o lançamento de uma nave espacial lenta, impulsionada por íons aquecidos pelo Sol, em um foguete Atlas V. A nave, então, se impulsionaria até um asteroide alvo, provavelmente uma rocha espacial pequena com cerca de 7 metros de largura. Depois de estudá-la brevemente, o robô pegaria o asteroide em um saco medindo cerca de 10 m por 15 m e voltaria em direção à Lua. No total, seriam necessários cerca de seis a dez anos para colocar o asteroide em órbita lunar.

Não seria fácil, é claro, e de acordo com Louis Friedman, da Sociedade Planetária, a proposta ainda precisa de “alguma sintonia fina técnica e científica”. Há também alternativas, inclusive colocar um asteroide no ponto L2 do sistema Terra-Lua. Mas, se o Instituto Keck conseguir o que quer, a Lua poderá enfim ter um amigo para brincar. [New Scientist]

Imagem por lrargerich sob licença Creative Commons