Engenheiros da NASA e da Boeing revelaram nesta terça-feira (22) novas informações sobre o projeto que lançará ao espaço o foguete mais poderoso e avançado já construído pela agência. Uma das novidades é a adição de propelentes criogênicos ao estágio central do Sistema de Lançamento Espacial (SLS) – um movimento que fez parte da sétima e penúltima fase de testes envolvendo o futuro foguete que ajudará na missão Artemis.

Neste momento, a NASA vem fazendo testes centrais do chamado “Green Run”, que é quando os quatro motores do foguete são acionados ao mesmo tempo. O experimento mais recente, conduzido no último domingo (20) no Stennis Space Center da NASA no Mississippi, foi apelidado de “ensaio geral molhado”, no qual foram colocados mais de 700.000 galões de propelentes criogênicos nos tanques do foguete. O propelente foi então controlado e drenado, “retornando a uma condição segura”, segundo um comunicado oficial da agência.

Com o sétimo teste Green Run concluído, a NASA agora vai se dedicar ao oitavo e último teste, no qual todos os quatro motores RS-25 serão acionados por mais de oito minutos. O experimento vai preparar o terreno para a era Artemis, que tem como objetivo transportar uma nova leva de astronautas até a Lua. A NASA espera lançar o SLS, sem tripulação, em novembro de 2021.

Imagem: NASA

O foguete tem 64 metros de altura. Seu estágio central composto por quatro motores é um componente integral do programa Artemis, e o sucesso dos testes é de extrema importância, pois sem ele os planos de enviar astronautas à superfície lunar em 2024 podem ser interrompidos e atrasar.

O propelente do SLS consiste em hidrogênio líquido e oxigênio líquido. Juntos, eles atuam como combustível e também como o agente oxidante necessário para fazer o líquido queimar. Os produtos químicos são resfriados a temperaturas ultrabaixas para manter o propelente em uma forma líquida compacta. Seis barcaças entregaram o propelente necessário para o teste, o que só foi possível graças a uma rede de hidrovias da região. O abastecimento foi feito enquanto a seção do núcleo do foguete SLS era estabilizada pela bancada de testes B-2 da instalação.

Os engenheiros da NASA e da Boeing monitoraram cuidadosamente todos os sistemas de estágio principal durante o teste. Uma análise preliminar dos dados sugere que o “estágio teve um bom desempenho durante o processo de carregamento e reabastecimento do propelente”, de acordo com a NASA.

Mas o teste não foi perfeito. O plano era simular uma contagem regressiva real com propelente no núcleo, mas o teste terminou abruptamente quando o relógio atingiu T-33 segundos, por razões que ainda não são conhecidas. O “estágio principal e a bancada de teste B-2 estão em excelentes condições e não parece ser um problema com o hardware”, explicou a NASA, acrescentando que “a equipe está avaliando os dados para identificar a causa exata do desligamento precoce”.

A NASA agora avançará com o oitavo teste Green Run, que deve ser muito mais emocionante do que o carregamento de propelentes. Na verdade, estamos ansiosos para ver esse monstro ficar todo inflamado, mesmo que tenha que permanecer no chão. Pelo menos por enquanto.