Para muitos, o teste de DNA é definitivo: se for encontrada evidência da presença do DNA de uma pessoa durante alguma investigação criminal, por exemplo, essa é considerada uma das grandes provas do envolvimento dela no crime. Mas, diferentemente do que consideramos como certeza durante anos, parece que o DNA não é tão infalível assim.

De acordo com um longo artigo publicado pelo Frontline, o DNA pode não funcionar como uma evidência definitiva em todos os casos. Para que isso seja verdade, é preciso uma combinação de três condições diferentes: quando as autoridades possuem grande quantidade de genes do suspeito, quando conseguem explicar como esse DNA chegou à cena do crime, e quando o teste feito em laboratório não contém nenhum erro. Nem sempre é possível chegar a essas três condições, e é por isso que em muitos casos o uso do DNA pode não ser conclusivo.

O problema maior está na segunda condição, a explicação para como o DNA chegou a determinado lugar. Cientistas ainda não conseguem explicar como o DNA viaja – muitas das nossas células contêm DNA, de modo que saímos por aí espalhado DNA por praticamente todos os lugares em que passamos. Além disso, algumas vezes nosso DNA consegue viajar para lugares que nunca visitamos – às vezes, os genes de uma pessoa podem ser encontrados em uma cena de crime, mas não significa que a pessoa realmente esteve lá.

Também há uma questão temporal. O DNA não tem um “prazo de validade” e pode ficar no mesmo lugar por meses ou anos. Portanto, pode ser que a pessoa identificada por esses exames tenha de fato passado pelo local do crime, mas não necessariamente quando o crime aconteceu.

Portanto, é difícil dizer com certeza que uma pessoa estava envolvida em um crime simplesmente pela presença do seu DNA em algo relacionado a ele. Por mais que possa ajudar bastante durante uma investigação, esse tipo de prova deve ser usada com bastante cautela. Caso contrário, a pessoa errada pode parar atrás das grades. [Frontline via PopSci]