Já há alguns serviços de aluguel de filmes on-line no Brasil ou sob demanda. Mas eles ainda são bem carinhos, têm um catálogo relativamente pequeno, especialmente em alta-definição e não podem ser apreciados em muitos dispositivos. Sonho com a vinda do Netflix para cá, e há indícios agora de que a recíproca é verdadeira.

Hoje, se você tentar entrar no Netflix, esta é a tela que você vê: “mal aí, mas você precisa de um endereço nos EUA.” Para quem mora lá, por US$ 7,99 você pode ver filmes e muitas séries de TV, em alta-definição, no seu PC, MAC, videogame ou iCoisa, além de uma infinidade de TVs, tocadores de DVDs/Blu-rays e set-top boxes. O Netflix está em todos lugar, e com uma velocidade de 10 Mbps, por exemplo, já é possível ver filmes em streaming, full-HD (no caso de um PS3) com zero delay – ele vai baixando enquanto você assiste. Faça as contas: são cerca de R$ 13, menos de um DVD, para tudo. Compare, por exemplo, com os R$ 6,90 cobrados pelo aluguel de filmes com definição padrão no Terra TV, o melhor que temos. Mas, isso só está disponível para os 20 milhões de assinantes americanos. A história da empresa lá é interessante, e começou a crescer no esquema “pague mensalidade e receba X DVDs por quantos dias quiser” (como o NetMovies no Brasil, por exemplo), que ainda oferece, em 1999. Mas em pouco tempo oferecendo o serviço de streaming, ou “Watch instantly”, ela cresceu ainda mais rápido – prova de que só usamos mídia física enquanto não há alternativa melhor.

O presidente do Netflix anunciou planos ambiciosos e muito dinheiro para  expansão internacional no fim do ano passado e começou pelo Canadá – que quase não conta como “internacional” para os americanos. Lá espera-se que 900.000 pessoas assinem o serviço em 3 meses, ao mesmo preço. Agora, vagas foram anunciadas para trabalho no sistema de suporte técnico com necessidade de fluência em várias línguas, entre elas “português (brasileiro e europeu)”. Sim, é só um fiapo de indício, mas eu quero acreditar. Serviços novos como o novo de vídeo sob demanda da Net são legais e tudo, mas eu quero algo que não esteja preso a uma única caixinha.

A expansão vem fruto de pressão dos acionistas – com uma margem pequena e expansão limitada nos EUA, ou o Netflix cresce ou começa a ter seu valor reduzido. A firma Credit Suisse espera que o Netflix invista US$ 1 bilhão na compra de direitos de transmissão por streaming de vídeos (a parte mais difícil) nos próximos 5 anos. Até lá – ou até quando o serviço chegar aqui – nossa banda vai ter melhorado um bocadinho e as pessoas terão menos desculpas para recorrer aos piratões. O que vocês acham?