Nancy Kanwisher é uma neurocientista no MIT que estuda a mente e o cérebro humano. Ela também é uma professora que eu gostaria muito de ter: ela é tão dedicada a ensinar ciência que raspou a própria cabeça para dar a você uma ideia melhor da anatomia do córtex.

Graças ao fMRI, uma técnica que usa ressonância magnética, Nancy pôde criar um modelo 3D do próprio cérebro. Ela então conta com a ajuda de Rosa Lafer-Sousa – estudante de neurociência e artista visual – para desenhar o cérebro no couro cabeludo.

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O vídeo dá uma introdução ao córtex, a camada superficial de tecido no cérebro, que permite a você ver, ouvir, mover-se e pensar. Ele tem o tamanho e espessura de uma pizza grande, e cabe dentro da sua cabeça pois está bem amassado.

No vídeo, a pequena região vermelha responde mais a rostos – aliás, Nancy é conhecida por ter descoberto uma área do cérebro para o reconhecimento facial. Ao lado, há uma região (em azul escuro) especializada em detectar corpos. A região verde é dedicada a processar cenários.

Nancy explica cortex

Se você perturbar alguma dessas regiões com um pulso magnético, sua visão será prejudicada – mas só no aspecto (rostos/corpos/cenários) que essa parte do cérebro processa.

No lado direito, também fica a junção temporo-parietal (em azul claro), que é ativada “quando você pensa no que outra pessoa está pensando”. Ela está ligada à sensação do “eu”: ajuda a perceber onde estão os limites do seu corpo, e ajuda você a se localizar no espaço.

Para ser mais eficiente, o cérebro aloca diferentes funções em diferentes áreas. Como explica a Scientific American:

Especialistas sabem que neurônios que desempenham funções similares tendem a se agrupar. Os neurônios que controlam o movimento do polegar, por exemplo, estão localizados ao lado dos que controlam o dedo indicador. Por essa razão, quando realizam uma cirurgia cerebral, neurocirurgiões evitam cuidadosamente os agrupamentos neurais associados à visão, audição e aos movimentos, permitindo assim que o cérebro retenha o máximo possível de suas funções.

Por isso, é possível fazer experimentos bem curiosos. No vídeo abaixo, Nancy usa estimulação transcraniana magnética para mostrar como uma corrente elétrica pode afetar o movimento de suas mãos (pule para o ponto 5:00).

Claro, o cérebro humano é muito mais complexo do que uma soma de pequenas áreas especializadas: ele pode ativar regiões separadas para realizar uma mesma tarefa, por exemplo. O estudo das regiões do cérebro vem avançando bastante, mas ainda tem muito a caminhar – e vídeos como esses ajudam a entender essa jornada.

Você pode conferir mais vídeos sobre neurociência no site de Nancy Kanwisher no MIT. [Nancy’s Brain Talks]