Em uma entrevista com investidores publicada no site da Nintendo, o presidente Satoru Iwata explica porque a Nintendo não lança oficialmente games ou consoles em nações em desenvolvimento (como países da América Latina, Índia, Sudoeste da Ásia, África, etc). E ele parece estar perdendo alguma coisa.

“É verdade que não apenas pessoas no Japão e outros países desenvolvidos na América do Norte e Europa, além daquelas residentes em vários países emergentes, podem adquirir mais entretenimento do que antes”, ele diz. “E isso é vital para nossa estratégia básica de ‘expansão da população de jogos’ que mais pessoas nesses países, assim como no Japão, América do Norte e Europa, possam apreciar nossos videogames e se sintam convencidas a pagar por eles.”

“Enquanto isso, algumas pessoas em países recém-emergentes não tem um costume estabelecido de pagar por software”, Iwata continua. “Nós ficamos pensando se o modelo tradicional da indústria de videogames terá sucesso nessas regiões. Se fizermos um negócio totalmente diferente nesses países, com serviços e softwares mais baratos do que em países desenvolvidos, as pessoas desses países desenvolvidos podem ter uma reação negativa e dizer, ‘porque nós temos que pagar mais para jogar o mesmo jogo?’ Esse pode ser um dos maiores problemas para resolvermos. É desnecessário dizer que popularizar nossos videogames em países emergentes é indispensável para o crescimento da Nintendo a médio e longo prazo. Nós vamos investir tempo trabalhando nisso.”

Parece que a Nintendo está lutando para achar maneiras de fazer dinheiro com o DS e Wii nesses mercados em desenvolvimento. Mas porque a Nintendo precisa vender necessariamente o DS ou Wii, quando a companhia tem um rico catalogo de ambos os consoles e de jogos? A falta de competitividade no preço depois dos impostos serem aplicados é um fator que pode levar alguém a deixar de comprar um desses consoles.

Aqui na América Latina, Sega licenciou o Mega Drive para a Tectoy, que vende o console velho numa caixa nova a um preço pequeno – a partir de R$ 199,00. Além disso, apenas recentemente a Sony lançou oficialmente no Brasil o Playstation…2 – mas por um preço bem menos acessível e mais que o dobro do aplicado no mercado paralelo. Isso sem falar do Zeebo.

Para quem é geek aqui no Brasil, isso pode até soar estranho, mas esses consoles antigos ainda vendem. Nem todos por aqui estão acompanhando os avanços tecnológicos do mercado de games: só querem um console barato com jogos baratos.

Uma das soluções apontadas pelo Kotaku seria que a Nintendo tirasse vantagem da situação e vendesse o Nintendo 64, ou até mesmo o Gamecube, por um preço mais em conta. Mas será que só isso seria suficiente para aquecer o mercado de jogos e gerar lucro a médio e longo prazo para a Big N? Por mais que haja uma demanda, não é isso que realmente sustenta o mercado. Quem compra um PS2 hoje, dificilmente compra jogos originais com frequência ou escolhe comprar o console na loja da Sony.

É bom saber que a Nintendo está de olho na América Latina, mas para os jogos se tornarem mais viáveis e acessíveis para a maior parte da população, o principal seria modificar a maneira como são taxados e talvez até rever nossa própria postura quanto à pirataria.

Fonte: [Nintendo via Kotaku]