por Daniel Junqueira

De acordo com o jornal japonês Nikkei, a Nintendo vai abandonar o desenvolvimento de uma plataforma própria para seu próximo console e, em vez disso, adotará uma versão modificada do Android.

A Nintendo já confirmou que trabalha em um novo console – cujo nome interno é NX – e que ele deve ser apresentado em 2016. Tirando isso, sabemos poucas coisas sobre o que esperar dele. Será o substituto do Wii U? Ou um novo portátil para suceder o 3DS? Ou quem sabe um novo sistema que pode ser ao mesmo tempo um portátil e um console de mesa? Satoru Iwata, o CEO da empresa, disse apenas que ele vai nos “surpreender”.

E se o Nikkei estiver certo, uma das grandes novidades dele será o uso do Android como base para seu sistema operacional. O Android é desenvolvido pelo Google mas pode ser modificado de diversas formas por outros desenvolvedores. A Amazon, por exemplo, adotou o Android como base para o Fire OS, o sistema dos seus tablets Kindle Fire, da set-top box Fire TV e do smartphone Fire Phone. A Nokia experimentou um pouco com o Android na sua linha Nokia X.

Nesses dois casos, por mais que seja o sistema desenvolvido pelo Google que esteja por trás de tudo, algumas vezes usuários sequer percebem isso, de tão modificado que ele foi (e também por não contar com os serviços Google como nos smartphones e tablets que conhecemos). E usar o Android para um console também não é nenhuma novidade: o Ouya faz exatamente isso.

O Nikkei diz que o motivo para a Nintendo adotar essa medida é a dificuldade atual que desenvolvedores têm com o Wii U: eles precisam desenvolver especificamente para o console da Nintendo, e os jogos feitos para ele não são compatíveis com outras plataformas. Ao adotar um sistema amplamente utilizado pelo mundo, a Nintendo facilitaria a vida de outros desenvolvedores na hora de adaptar jogos do NX para outros consoles, ou de outros consoles para o NX.

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Isso pode facilitar também a vida da Nintendo para expandir seus futuros jogos mobile. A empresa deve lançar o primeiro título ainda neste ano, mas, enquanto isso, já vem estudando modelos de negócio para esses jogos. No 3DS, por exemplo, temos Pokémon Rumble World e Pokémon Shuffle como dois free-to-play que lembram bastante os jogos encontrados em smartphones e tablets. Talvez o uso do Android no seu próximo console ajude inclusive a integrar mais o universo de jogos mobile com o ecossistema do seu próprio console.

Pense em um Pokémon Rumble World que é lançado ao mesmo tempo para o NX e para smartphones e tablets com Android. Em sua essência, seria o mesmo jogo, e talvez até com a possibilidade de compartilhar o mesmo save em diferentes aparelhos. Comece a jogar no celular quando estiver na rua e termine em casa no NX. Parece uma boa… ou talvez eu esteja sonhando demais.

Por outro lado, o uso de um Android modificado permitiria que a Nintendo continuasse tendo seus jogos como exclusivos para o seu console. A Amazon fez isso recentemente: ela lançou Til Morning’s Light, um jogo para iOS e Android a partir da sua loja de apps – no entanto, apenas os dispositivos da própria Amazon (além de iPhones e iPads) podem rodar o jogo.

O Nikkei tem um bom histórico de informações corretas em relação à Nintendo, e por isso vale ficar atento a esse rumor. Foi esse mesmo jornal japonês que adiantou o lançamento do 3DS XL meses antes da Nintendo anunciá-lo oficialmente, e também foi ele que disse que a Nintendo estudava entrar de alguma forma no mundo mobile.

Ainda assim, é só um rumor, e por vezes os rumores não se confirmam. Portanto, vamos precisar esperar até algum momento de 2016 para saber se de fato a Nintendo vai abraçar o Android no seu próximo console. [Nikkei via Kotaku US]

Foto por MShades/Flickr

[Atualização – 02/06 às 16h30] A Nintendo negou as informações do Nikkei de que adotará o Android no seu próximo console. Por um lado, ela já fez isso antes: em 2012, ela desmentiu uma reportagem do jornal japonês que dizia que um novo 3DS estava a caminho e, logo depois, anunciou o 3DS XL. Por outro, ela também já disse que a Nintendo faria coisas que não se concretizaram. O que podemos tirar disso? Bem, por enquanto nada. Vamos continuar esperando até 2016 para conhecer o NX.