A Nintendo encerrou suas atividades no mercado brasileiro no início de 2015 e, desde então, não comercializa e nem oferece suporte dos seus produtos por aqui. Com o lançamento do Switch, alguns fãs se animaram com a possibilidade do retorno da companhia. Nesta quarta-feira (1), diversos veículos reproduziram uma reportagem que afirmava a possibilidade do lançamento do novo videogame no Brasil, já que alguns componentes teriam sido registrados e homologados na Anatel.

• Jogar Nintendo Switch parece uma experiência nova e clássica ao mesmo tempo
• Por que você não precisa se preocupar tanto com os gráficos do Nintendo Switch

As reportagens diziam que a “Nintendo of America fez um registro na seção de Setor Regulado da Anatel”, em dezembro de 2016 e janeiro de 2017. Entre os produtos homologados, estão um transceptor de radiação restrita chamado “iTach Flex Wifi”, produzido pela companhia Global Cache – mesma fabricante dos componentes de rede do Nintendo 3DS –, um outro transceptor do mesmo gênero chamado “ZBX” e um transmissor para serviço auxiliar de radiodifusão TV.

Na verdade, os registros não foram feitos pela companhia japonesa, mas apenas são exibidos ao fazer uma pesquisa pela palavra-chave “Nintendo”. Consultando toda a documentação disponível no site da Anatel, verificamos que os solicitantes dos registros foram feitos por suas respectivas fabricantes. Além disso, em dois dos documentos – do iTach Flex Wifi e FR-Z100A – há um trecho que diz que o “certificado substitui o de mesmo número emitido” em outras datas, ambas do ano de 2014.

Os manuais e descrições dos produtos também não indicam que eles sejam, de fato, componentes do Switch. Embora o “iTach Flex Wifi” seja um dispositivo para controle remoto, ele possui uma entrada microUSB e uma carcaça, o que não faz muito sentido para um componente de console. Além disso, ele é vendido na Amazon como um acessório para conectar produtos à internet.

iTach-Flex-WiFiiTach Flex Wifi. Fotos: Anatel.

O “Transceptor de Radiação Restrita” chamado “ZBX” é fabricado pela Sintrex Engenharia Eletro-eletrônico Ltda, uma empresa nacional. É um pequeno chip utilizado para comunicação sem fios. No site oficial da empresa, são dados alguns exemplos de uso para o produto:

O ZBX tem hoje 4 principais produtos já em operação que são:

Sistema de monitoração ambiental de temperatura e umidade relativa com aplicações em Datacenters, ambientes corporativos, ambientes onde a temperatura é crítica;

Sistemas de controle de iluminação – São End Devices que controlam luminárias individuais e zonas de iluminação em prédios corporativos.

Sistemas de automação – são end devices que coletam informações, ou enviam comandos por até 44 portas digitais, além de uma interface Modbus IP.

Sistemas de medição de água, energia e gás (Hidrosys) – é um sistema de controle e gestão de recursos onde através da saída pulsada de um medidor, os dados são enviados ao coordenador e estes ficam disponibilizados ao usuário em um software na nuvem para consulta e acompanhamento.

Por fim, o “Transmissor para Serviço Auxiliar de Radiofusão TV”, modelo FR-Z100A, da Hitachi Kokusai Eletric Inc., definitivamente não tem nada a ver com o videogame da Nintendo. Ele é enorme:

FR-Z100AFR-Z100A da Hitachi. Fotos: Anatel.

Recentemente, o representante da Nintendo na América Latina, Bernardo Guzmán-Blanco, disse em entrevista ao UOL Jogos que “ainda é cedo” para falar do novo console no Brasil. “Por ora, queremos nos focar em comunicar aos fãs brasileiros como é a experiência de jogar no Nintendo Switch”, afirmou.

Entramos em contato com a Anatel para esclarecer o motivo dos três produtos retornarem na busca pela palavra “Nintendo” no site de registros e atualizaremos a publicação quando tivermos algum retorno. Mas, por enquanto, não adianta se empolgar: o Switch ainda não parece estar perto de chegar ao Brasil.

Atualização às 17h33: A Anatel respondeu ao nosso questionamento e a solicitação de homologação dos itens não veio da Nintendo. Segundo a agência “aparentemente há um problema na caixa de pesquisa do portal da Anatel, www.anatel.gov.br. Estamos checando com a área responsável”.