Ainda não chegamos nem ao fim do primeiro mês de 2020 e já quebramos o recorde do dia com mais dióxido de carbono em toda a história da humanidade.

O dióxido de carbono na atmosfera da Terra atingiu 415,79 partes por milhão (ppm) no Observatório Mauna Loa, no Havaí,  na terça-feira (21). Não é de surpreender que esses níveis tenham atingido uma nova alta diária, mas o novo recorde atmosférico ressalta o fato de que as taxas de emissões de carbono estão subindo quando precisam cair.



O dióxido de carbono atmosférico segue um padrão de gangorra ao longo de um ano, subindo do outono até a primavera no hemisfério norte, quando as plantas decaem e depois declinando no verão, à medida que as plantas crescem e retiram carbono da atmosfera. O ciclo tem sido impulsionado por processos naturais por toda a existência humana até o mundo começar a emitir dióxido de carbono. Agora, a gangorra ainda existe, mas tem aumentado constantemente a cada ano que passa de contínuas emissões de carbono.

O recorde diário registrado na terça-feira no Observatório Mauna Loa, o padrão-ouro dos locais de medição, indica que mais recordes serão quebrados nos próximos meses. O recorde mensal de dióxido de carbono geralmente é estabelecido em março ou abril, embora no ano passado tenha acontecido em fevereiro devido a atividades humanas de queima de combustíveis fósseis.

Os cientistas conseguem ter uma visão de longo prazo do dióxido de carbono observando o ar preso nos núcleos de gelo para entender como era a atmosfera do passado. Esses registros remontam a 800.000 anos, desde quando os humanos surgiram na Terra. Durante a maior parte desses 800.000 anos, os níveis médios de dióxido de carbono permaneceram abaixo de 280 ppm. As coisas começaram a mudar rapidamente durante a era industrial, quando começamos a queimar combustíveis fósseis. A atmosfera que a humanidade criou hoje pré-data nossa existência em milhões de anos.

Apesar dos riscos claros que uma atmosfera mais carregada de dióxido de carbono representa, as emissões estão aumentando cada vez mais rapidamente. Enquanto os humanos continuarem emitindo carbono, temos a garantia de continuar estabelecendo novos marcos. Em maio passado, cruzamos 415 ppm pela primeira vez. Esse recorde superou o anterior, que havíamos atingido apenas três meses antes. Nunca havíamos cruzado 400 ppm antes de 2015.

Todo esse carbono está aquecendo o planeta, o que aumenta as chances e a intensidade de ondas de calor, incêndios, tempestades e inundações. Também está arruinando a qualidade do ar, causando crises de saúde pública e até dificultando o nosso raciocínio. Enquanto isso, a ciência continua mostrando que os riscos nunca foram tão claros quanto ao que acontecerá se a humanidade continuar emitindo carbono.

Os pesquisadores alertam que estamos nos aproximando dos principais pontos de inflexão que podem desencadear o aquecimento global descontrolado e perturbar fundamentalmente o sistema climático do planeta. O antigo gelo do mar do Ártico está prestes a desaparecer. Em terra, grandes camadas de gelo na Antártica enfrentam o risco de um colapso incontrolável e podem elevar o nível do mar a um metro ou mais. E, à medida que as florestas se tornam mais propensas à queimadas, algumas estão começando a emitir carbono e piorando a crise climática. Tudo isso, combinado com as contínuas emissões de carbono, significa que estamos caminhando para uma devastação ainda maior.

Ainda podemos mudar isso. Serão necessárias mudanças radicais na economia global, o que não será fácil. Mas a alternativa é uma catástrofe completa.